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 Arqueologia
Um tesouro no lugar mais chuvoso do Brasil
Em Calçoene, no Amapá, existe um sítio arqueológico que desperta a curiosidade dos cientistas


Detalhe do sítio arqueológico de Calçoene, no Amapá. (Foto: Mariana Petry Cabral)

Calçoene não é só o lugar mais chuvoso do Brasil. É também o local onde se encontra um sítio arqueológico muito especial. Formado por grandes blocos de granito – alguns com quatro metros de comprimento! – dispostos de forma alinhada ou em círculos, ele aparentemente era, no passado, uma área onde os índios realizavam rituais, como o enterro dos mortos.

Não se sabe ainda quando a construção foi erguida. “Recolhemos material para definir a data, mas esse trabalho ainda não está pronto. Acreditamos que o sítio tenha sido erguido antes da chegada dos europeus à região e temos certeza de que ele foi construído por indígenas por conta da cerâmica encontrada no local, que tem uma decoração característica da região Amazônica, que representa bichos e seres humanos”, explica a pesquisadora Mariana Petry Cabral, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA).

No sítio arqueológico de Calçoene, há pedras que marcam o solstício de dezembro: o dia mais longo do ano no hemisfério sul e o mais curto no hemisfério norte, que determina ainda o início da estação chuvosa no Amapá. “Há pedras alinhadas onde o sol vai nascer e onde ele irá morrer”, conta Mariana. “Isso leva a crer que se trata de um sítio especial, onde se registravam datas importantes para esse grupo.”

Conhecido pela população local há muito tempo, o sítio arqueológico de Calçoene começou a ser pesquisado pelos cientistas apenas em 2005. Ganhou até mesmo um apelido: Stonehenge do Amapá. Trata-se de uma comparação com o sítio arqueológico Stonehenge, localizado na Inglaterra, que também apresenta blocos de pedra organizados de forma circular e onde se observam marcações do solstício. “Mas é bom salientar que se trata de dois sítios completamente diferentes, por terem sido feitos em épocas e por povos distintos”, salienta Mariana.

De agosto a dezembro de 2006, a pesquisadora e seu colega João Saldanha, também do IEPA, fizeram as primeiras escavações no sítio arqueológico de Calçoene. Quer saber o que ela achou do lugar mais chuvoso do Brasil? “Quando chove, lá chove muito. Parece que se abre uma torneira: os rios sobem rapidamente e a paisagem se transforma. Porém, como acontece na Amazônia, chove todos os dias, mas sempre aparece o sol.”


Mara Figueira
Ciência Hoje das Crianças
06/02/2007
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