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 ARQUEOLOGIA E PALEONTOLOGIA

Preguiças gigantescas
Descubra animais fantásticos que habitaram o Brasil há 12.000 anos

Quando a gente ouve falar de preguiça, pensa logo naquela moleza que nos deixa sem ânimo para estudar e brincar. Mas deixe essa sensação de lado, pois a preguiça aqui é outra. Trata-se de um animal que tem pêlos longos e grossos, patas muito desenvolvidas e cauda, chamado assim por causa de seus movimentos lentos. Juntamente com os tatus e os tamanduás, as preguiças são mamíferos que fazem parte da ordem Xenarthra. Hoje, as preguiças vivem no alto de árvores, como muitos macacos. Porém, há aproximadamente 12 mil anos, existiam, no Brasil, preguiças enormes, que chegavam a ter o tamanho de um elefante. Elas são chamadas preguiças terrícolas, porque, ao contrário das que restaram (denominadas arborícolas), viviam na terra.

Reconstrução de uma preguiça da espécie Nothrotherium maquinense

O primeiro esqueleto de preguiça terrícola foi encontrado em 1787, na cidade argentina de Luján e mandado para a Espanha, onde havia sido construído um novo museu: o Real Gabinete de História Natural de Madri. Diante do tamanho dos ossos, os espanhóis concluíram que o animal só poderia ser um elefante sul-americano. Mas eles estavam enganados... Mais tarde, o anatomista francês Georges Cuvier, diretor do Museu de História Natural de Paris, identificou o esqueleto como o de uma preguiça, que recebeu o nome científico de Megatherium americanum (grande animal selvagem americano). A partir daí, espécies de vários tamanhos foram descobertas, inclusive pelo importante naturalista inglês Charles Darwin.

Esqueleto de uma preguiça terrícola

As espécies de preguiças terrícolas conhecidas são agrupadas em três famílias: megaterídeos, milodontídeos e megaloniquídeos. Os megaterídeos eram as preguiças gigantes - o tal "elefante sul-americano", que não era elefante. Os milodontídeos eram um pouco menores que os megaterídeos. Já os megaloniquídeos foram as menores preguiças encontradas.

No Brasil, os primeiros achados de esqueletos de preguiças foram feitos em 1835 na Gruta de Maquiné, em Cordisburgo (MG). Eram poucas peças da menor preguiça da família dos megaloniquídeos, que tinha o tamanho de uma ovelha. Hoje, já foram identificadas no país 13 espécies de preguiças terrícolas. Dessas, nove viveram no cerrado brasileiro, onde a vegetação é caracterizada por árvores baixas e retorcidas. Apesar de dividirem o território, essas espécies não competiam diretamente pelo mesmo alimento. Seus vários tamanhos e características faziam com que tivessem diferentes hábitos alimentares. Mas, como os dinossauros, as preguiças terrícolas se extingüiram. Hoje, só podemos observar seus esqueletos em museus e, com base em algumas informações dos pesquisadores, usar a criatividade para imaginar como eram esses animais gigantes.

Leia mais: Apresentação | Famílias de preguiças | Charles Darwin

 
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