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Brasileira descobre vulcões em Io
Além da Terra, satélite é único astro do Sistema Solar com atividade vulcânica
Io, uma das 17 luas de Júpiter, é o único astro do Sistema Solar além da Terra a apresentar atividade vulcânica. Descoberto em 1610 por Galileu, o astro tem em atividade cerca de 300 vulcões, sendo que nem todos se comportam como seus similares terrestres. O vulcanismo em Io é o tema de pesquisa da brasileira Rosaly Lopes Gautier, que trabalha no Laboratório de Propulsão a Jato da Agência Espacial Norte-americana (Nasa), em Pasadena, Califórnia. Presente no Rio de Janeiro para o 31º Congresso Geológico Internacional, a vulcanóloga reservou um tempo na agenda para conversar com a CH on-line e contar sobre o andamento de seus estudos.
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Júpiter e Io, um de seus 17 satélites naturais | | |
O trabalho de Rosaly, PhD em geologia planetária, consiste em analisar as imagens de Io enviadas pela nave Galileo, que sobrevoa a órbita de Júpiter. A pesquisadora identifica vulcões nessas imagens com a ajuda do espectrômetro de mapeamento infravermelho - um equipamento que registra os dados da composição da superfície do satélite natural e o calor emitido por ele. Os dados são enviados à Terra e transformados em imagens por pesquisadores.
O material coletado ajuda a compreender melhor as características do vulcanismo na lua de Júpiter. "Com esses dados, podemos entender o comportamento dos vulcões de Io e, conseqüentemente, dos vulcões terrestres, apesar de terem grandes diferenças", explica Gautier. As principais delas são a composição ultramássica e a temperatura da lava. A de Io é mais quente que a lava expelida pelos vulcões terrestres atuais, mas similar à lançada pelos vulcões que ocorriam na Terra de milhões de anos atrás. "Esse estudo nos ajuda a entender melhor o passado do nosso planeta."
A comparação da análise dos vulcões de Io com seus similares terrestres atuais é feita a partir de modelos físicos que são criados levando em conta parâmetros como a diferença de temperatura das lavas (média de 1500 graus Celsius em Io e de 1200 na Terra). "Assim, podemos entender melhor o funcionamento dos nossos vulcões e até tentar prever possíveis erupções", conclui Gautier. "Já se sabe, por exemplo, que os vulcões dão certos sinais antes de entrar em erupção: eles incham e causam abalos sísmicos, indicando que estão prestes a entrar em ação."
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Detalhe da erupção do vulcão Ra Patera na superfície de Io | | |
Depois de descobertos e identificados, os vulcões são batizados pelos pesquisadores. Os nomes são levados a um comitê da própria Nasa para serem ou não aprovados. Dois exemplares descobertos pela equipe coordenada por Gautier foram batizados com nomes da mitologia indígena brasileira: Tupã e Monã. O próximo homenageado da lista deverá ser o compositor Tom Jobim.
No Congresso Geológico Internacional, Gautier apresentou uma palestra sobre sua pesquisa no dia 16 de agosto. Esta é a primeira vez que o maior evento de geologia no mundo acontece no Brasil.
Pedro Lent Ciência Hoje/RJ 16/08/00 |