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A primeira carta magnética exclusiva do território brasileiro foi elaborada pelo holandês Van Rychervosel em 1890, quando veio ao Brasil a convite do diretor do Observatório Imperial, Emanuell Liais. Nessa carta, o equador magnético atravessava a cidade de Caravelas, no litoral sul da Bahia. Uma comissão preparou novos mapas em 1909. A partir daí, a publicação das cartas magnéticas passou a ser periódica, com breves interrupções, como durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo.

 

 NOTÍCIAS :: GEOCIÊNCIAS

Novas cartas magnéticas para o Brasil
Mapas atualizam representação das linhas do campo magnético terrestre

O Brasil prepara novas cartas magnéticas para seu território. Essas cartas, que precisam ser atualizadas a cada cinco anos, permitem representar no mapa geográfico as linhas do campo magnético que envolve a Terra. As medições para a confecção das novas cartas estão sendo realizadas pela equipe de geomagnetismo do Observatório Nacional, coordenada pelo pesquisador Luiz Muniz Barreto. As medições são efetuadas em 126 estações distribuídas pelo país.

Três cartas magnéticas estão sendo elaboradas, uma para cada parâmetro do campo: intensidade, inclinação e declinação

A atualização das cartas magnéticas é necessária porque o campo magnético terrestre varia em função do tempo e da posição (latitude e longitude). A variação pode ter origem no interior ou exterior do globo terrestre. A de fonte interna, também chamada variação secular, deve-se ao movimento das cargas elétricas da parte líquida do núcleo terrestre (formado por níquel e ferro), que funciona como um ímã cujo magnetismo dá origem ao campo magnético terrestre. A variação de fonte externa está ligada à atividade solar, que altera o sistema de correntes formado por partículas eletricamente carregadas da ionosfera. O campo magnético terrestre é influenciado pela energia solar recebida pela Terra, que varia em função de fatores como estações do ano, períodos do dia ou ocorrência de explosões solares.

Para elaborar as cartas, técnicos medem, por meio de equipamentos como o magnetômetro de prótons, três componentes do campo magnético terrestre: intensidade (força com que atua em determinada região), inclinação (direção que segue) e declinação (ângulo formado pelo norte magnético, definido pelo campo, e o norte geográfico, associado ao eixo da Terra). Como a medição é válida para a época em que foi feita, a variação desses parâmetros em relação às edições anteriores do mapa também é incluída na carta. Isso permite que ela seja usada por cinco anos, período em que a margem de erro é considerada aceitável. As medições permitem calcular a localização do equador magnético que, ao contrário do geográfico, não é uma linha reta e move-se constantemente para oeste, acompanhando a deriva do campo magnético.

Em 1919, o equador magnético passava próximo a Aracaju (SE).
Hoje, ele está perto de São Luís (MA)

O pólo norte magnético (indicado pela agulha da bússola) também se move em função do campo e, para achar o norte geográfico, é preciso conhecer sua exata localização. Por isso, o uso das cartas magnéticas é fundamental para as áreas em que é preciso saber a orientação, como topografia, navegação aérea e marítima ou aplicações bélicas. As cartas magnéticas são usadas ainda na prospecção de petróleo e minerais. Como os minérios provocam variações no campo magnético da região em que se encontram, é possível localizar novas jazidas comparando esses desvios com os valores normais da intensidade de campo.

Thaís Fernandes

Ciência Hoje/RJ
22/11/00

 

 
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