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Cavernas são espaços vazios que se desenvolvem no interior de rochas pelo percurso de águas aciduladas entre um sumidouro (onde a água penetra da superfície) e um ponto de ressurgência (onde emerge).

 

 NOTÍCIAS :: GEOCIÊNCIAS

As grandes cavernas brasileiras
Mapas e fotografias ilustram o primeiro atlas do Brasil subterrâneo

As surpreendentes belezas nacionais escondidas em quilômetros de galerias, cachoeiras e rios subterrâneos foram reunidas pela primeira vez no livro As grandes cavernas do Brasil, que apresenta, com mapas e fotografias, as 50 mais extensas e 30 mais profundas cavernas conhecidas no país. Os autores Augusto Auler, Ézio Rubbioli e Roberto Brandi, membros do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas (relativas ao estudo científico de cavernas), consultaram durante seis meses uma bibliografia extensa e muitas vezes de difícil acesso. Augusto explica que o intuito era reunir essa documentação dispersa em uma obra de referência que possa orientar novas explorações.

Gruta do Lago Azul, em Bonito (MS) (fotos: Ézio Rubbioli)

O potencial espeleológico do Brasil é o maior da América do Sul e supera cem mil cavernas - atualmente três mil estão registradas. A maioria das cavernas ocorre em maciços carbonáticos (formados por sais de carbono) e, no Brasil, não ultrapassa 300 metros de profundidade devido ao relevo de baixa altitude. Já em terrenos de rochas quartzíticas e areníticas, estima-se que o país possua o maior número de cavernas do mundo, um fenômeno incomum e ainda não explicado.

A Gruta do Centenário, na região do Pico do Inficionado (MG), é a mais profunda do Brasil e a maior do mundo em terreno de quartzito, com 3,8 km de extensão e 481 m de profundidade. Já as cavernas mais extensas se concentram em Goiás, Minas Gerais, São Paulo e sobretudo Bahia, onde se localizam a Toca da Boa Vista (92,1 km) e a Toca da Barriguda (26,7 km), as maiores do país em extensão.

Toca da Boa Vista (acima), a mais extensa do Brasil, e Toca da Barriguda (abaixo), que apresenta o Salão Bitelo, um dos mais amplos do país

A exploração de cavernas brasileiras começou no século 18. O mapeamento foi iniciado pelo dinamarquês Peter Lund e seu assistente Peter Brandt em 1835 usando palmos e passos como unidades de medida. A exploração sistemática das cavernas foi inaugurada com a fundação da Sociedade Excursionista e Espeleológica em 1937. Até os anos 80, quando surgem programas de computador específicos para a mensuração de cavernas, os mapas eram feitos manualmente e o erro de uma única medida comprometia todas as demais. Também data dessa época a padronização de critérios de medição, o que reformulou a lista das maiores cavernas brasileiras.





 

O ranking e as dimensões das cavernas estão sujeitos a alterações segundo as descobertas de novas expedições. Por isso, o livro recém-lançado já apresenta uma desatualização. A mais extensa caverna do Brasil, a Toca da Boa Vista, foi descoberta em 1987 pelo Grupo Bambuí e cadastrada com 92,1 km de extensão, mas uma expedição em janeiro de 2002 percorreu 97 km. Como Augusto revela, a exploração prevista para janeiro de 2003 deve atingir 100 km.


A exploração de cavernas desse porte leva dias e é dificultada pela obstrução de galerias por sedimentos, o que requer a experiência de espeleólogos. Mas como Augusto ressalta, "o mérito do livro é mostrar ao grande público que é muito simples e acessível participar da descoberta desse imenso patrimônio subterrâneo."

As grandes cavernas do Brasil
Augusto Auler, Ézio Rubbioli e Roberto Brandi
Belo Horizonte, Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, 2001
214 páginas; R$ 35,00

Raquel Aguiar
Ciência Hoje on-line
25/02/02

 

 
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