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Caldeiras vulcânicas são estruturas circulares rebaixadas, preenchidas por rochas vulcânicas e sedimentos. Elas se formam quando um ou mais vulcões, ao entrarem em erupção, expelem um volume muito grande de magma. Essa retirada de material magmático faz com que o terreno em torno dos vulcões afunde, o que provoca também o desabamento dos vulcões.

 

 NOTÍCIAS :: GEOCIÊNCIAS

Encontrados vulcões de 1,9 bilhão de anos na Amazônia
Terreno contém metais de valor econômico próprios de áreas bem mais jovens

Dois vulcões inativos, com cerca de 1,9 bilhão de anos, foram recentemente identificados na Amazônia por geólogos da Universidade de São Paulo (USP). Nunca antes um vulcão com estrutura preservada havia sido identificado em território brasileiro. O terreno em que foram encontrados -- uma caldeira vulcânica com cerca de 22 km de diâmetro -- surpreendeu os pesquisadores por seu estado de conservação: na região, foram encontrados depósitos de metais de possível grande valor econômico (como ouro, cobre e molibdênio). Mineralizações desse tipo nunca foram vistas em terrenos tão antigos.

O rio Tapajós, no Pará, onde foram encontrados os dois vulcões de quase 2 bilhões de anos

Os vulcões foram identificados pela equipe coordenada pelo geólogo Caetano Juliani. A intenção inicial era descobrir o processo de formação do grande volume de ouro encontrado na Província dos Tapajós (PA). Estudos anteriores já haviam apontado quatro processos diferentes de formação do metal. Mas os geólogos desconfiaram de uma quinta possibilidade ao observarem ouro alojado em rochas vulcânicas.

A existência dos vulcões foi comprovada a partir da análise de estudos petrográficos, de testemunhos de sondagem e de imagens de satélite, além de outros dados. O estudo, concentrado em duas áreas distantes 50 km uma da outra na bacia do rio Tapajós, foi financiado por Fapesp, CNPq, Pronex e UFPA e será publicado na revista Chemical Geology em 2003.

Aspecto microscópico de minerais encontrados na rocha vulcânica da borda da caldeira

Segundo Juliani, a região deve concentrar outros vulcões, que podem ser ainda mais antigos. "O difícil é reconhecê-los", explicou. Os vulcões identificados datam do período Paleoproterozóico. Nessa época, os continentes não tinham a configuração que têm atualmente. Não havia vegetação na Terra e o planeta era habitado apenas por algas e micróbios.

O que mais surpreendeu os cientistas foi a descoberta, na caldeira vulcânica, de minerais característicos de terrenos muito mais jovens. "Estruturas geológicas tão antigas como as da caldeira já deveriam ter sofrido erosão ou metamorfismo", disse Juliani. "A similaridade com terrenos mais novos, com cerca de 30 milhões de anos, é impressionante."

Os pesquisadores ainda não sabem explicar por que os minerais encontrados estão tão bem preservados. Para Juliani, o reconhecimento de um sistema vulcânico tão antigo e bem conservado é importante por servir de base para a busca de metais em outras áreas tão antigas quanto a brasileira, encontradas também na África, no Canadá e nos EUA. "Empresas mineradoras desistem de prospectar terrenos tão velhos por acharem que os minérios importantes já estarão degradados." Ele acredita, no entanto, que não há perspectivas de aproveitamento dos minerais encontrados, pois os depósitos não são grandes o bastante para justificar o grande investimento que a exploração exige.

O geólogo ressalta ainda que a descoberta pode ter desdobramentos em outras áreas científicas. "Como os minerais encontrados têm minúsculas inclusões de líquido e gases, é possível descobrir mais informações sobre a atmosfera do planeta naquele período distante."

Marina Ramalho
Ciência Hoje on-line
27/05/02

 

 
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