Proteína reguladora da apoptose
Descoberta pode originar droga que enfraqueça células cancerosas
A proteína SMAC, encontrada nas mitocôndrias celulares, pode ser a reguladora da apoptose (suicídio celular programado) em mamíferos. Recém-descoberta, a proteína foi isolada em uma grande cultura de células humanas por dois pesquisadores da Universidade do Texas (Estados Unidos). Eles concluíram que ela provoca a liberação de caspases (enzimas que realizam a apoptose) no corpo celular. A descoberta foi relatada em dois artigos nas revistas Cell (7 de julho) e Nature (24 de agosto).
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Na apoptose, a célula encolhe, bolhas começam a se formar e a cromatina é compactada, formando massas concentradas nas bordas internas do núcleo, que se parte, levando à formação dos corpos apoptóticos | |
Segundo os realizadores do estudo, a descoberta pode colaborar na elaboração de uma droga contra o câncer. Análises anteriores haviam mostrado que a proteína SMAC desempenhava papel importante na regulação da apoptose. Agora, descobriu-se que ela é capaz de anular a ação de um grupo de proteínas chamadas IAPs (inibidoras de apoptose), que estão sempre presentes nas células para impedir a atividade das caspases. As células tumorais, devido a sua intensa multiplicação, apresentam níveis muito elevados de IAPs para evitar a apoptose.
Os pesquisadores afirmam que uma droga contra o câncer, para ser eficaz, deve aproveitar-se dessa peculiaridade. Ao anular as IAPs das células cancerosas, é possivel que baixe a resistência do tumor a tratamentos quimioterápicos. A longo prazo, espera-se produzir uma droga que, por si só, elimine as células cancerosas. Segundo Xiaodong Wang, um dos pesquisadores que descobriu a SMAC, o desenvolvimento de uma droga a partir dessa proteína não deve ser muito complexo, já que apenas sete dos mais de 200 aminoácidos que a compõem são responsáveis pela indução da morte celular - o que ele considera incomum. "Acreditamos que os aminoácidos restantes desempenhem um papel estrutural, prendendo o peptídio que induz a apoptose na posição certa", declarou Wang à CH on-line.
No entanto, há o risco de a droga agir também em células sadias, já que as IAPs de normais e cancerosas são idênticas - diferem apenas na quantidade. Assim, tecidos saudáveis começariam a sofrer apoptose e, portanto, a desaparecer. Wang considera essa possibilidade, mas julga-a quase improvável. "Como as células tumorais precisam para sobreviver de níveis de IAPs mais elevados que as normais, é mais provável que o agente anti-IAP tenha um efeito preferencial nas primeiras."
Leonardo Cosendey
Ciência Hoje/RJ
22/09/00