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 NOTÍCIAS :: BIOLOGIA

Disseminação do amarelinho simulada

Modelo matemático pode ser usado para prever padrão de evolução da praga

Um modelo matemático capaz de simular a dinâmica de alastramento da clorose variegada de citros (ou praga do amarelinho) foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e do Instituto Agronômico de Campinas. A praga, causada pela bactéria Xylella fastidiosa e transmitida pela cigarrinha (Dilobopterus costalimai), ataca um terço dos laranjais de São Paulo. O modelo, que leva em conta fatores ligados à sua disseminação, simulou um alastramento parecido com o verificado empiricamente em 11 pomares observados por 20 meses. Portanto, ele pode ser usado para prever padrões de evolução da praga. O estudo foi publicado na edição de novembro da revista Physical Review E.

Laranjeiras atingidas pela praga do amarelinho produzem frutos amarelados, pequenos, duros e impróprios para o consumo

O modelo matemático de disseminação do amarelinho leva em conta a capacidade de a cigarrinha (vetor da doença) se mover de uma árvore a outra (motilidade), o nível de estresse hídrico e nutricional das árvores (os insetos atacam preferencialmente plantas sadias) e variáveis sazonais (o amarelinho se dissemina mais entre setembro e março, quando aumentam as temperaturas e a taxa de chuva). Os pesquisadores constataram que os dois primeiros fatores eram especialmente determinantes na dinâmica de disseminação da praga.

A cigarrinha, vetor da praga do amarelinho, inocula na seiva das laranjeiras a bactéria causadora da doença, que entope o xilema das árvores

Em geral, as cigarrinhas alastram a praga do amarelinho por meio de vôos curtos, contaminando sobretudo árvores vizinhas. No entanto, constatam-se casos de insetos que efetuam vôos mais longos e levam a doença a plantas mais distantes. Para contemplar esses casos, os pesquisadores recorreram à distribuição de Lévy, um método de distribuição de probabilidades que leva em conta eventos extremos (como os vôos longos) cuja freqüência é importante para a dinâmica de um sistema. Em estudos anteriores, a técnica havia se mostrado eficaz para descrever o padrão de busca de comida por animais como abelhas, albatrozes e abelhas. Ela se mostrou ideal para simular a motilidade dos vetores. "Os resultados do nosso modelo só bateram com os dados empíricos quando passamos a aplicar a distribuição de Lévy", conta o físico Marcelo Martins, da UFV, autor principal do estudo.

Segundo ele, a equipe está aperfeiçoando o modelo para contemplar variáveis desprezadas no estudo original. A eficiência de transmissão é uma delas: o amarelinho só é transmitido em 17 de cada 100 contatos da cigarrinha com a árvore. No modelo dos pesquisadores, considerou-se que bastava que o inseto entrasse em contato com a planta para contaminá-la. O novo modelo deve também contemplar a infecção por insetos de pomares vizinhos (os pesquisadores só haviam estudado a disseminação em pomares isolados).

Leia mais sobre o seqüenciamento do DNA da Xylella fastidiosa,
bactéria causadora da praga do amarelinho

Bernardo Esteves
Ciência Hoje/RJ
10/11/00

 

 

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