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 NOTÍCIAS :: BIOLOGIA

Interação de proteínas em 3D

Cristalografia mostra estrutura de moléculas ligadas ao alastramento do câncer

A estrutura cristalográfica tridimensional da interação de duas proteínas celulares envolvidas no alastramento de células cancerosas foi determinada pela equipe do farmacólogo John Sondek, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (Estados Unidos). A descoberta foi publicada na edição de 7 de dezembro da revista Nature.

Cristalografia de raios X da interação entre a Rac 1, uma proteína da família G, e sua ativadora, a Tiam1

Uma das moléculas observadas pertence ao grupo das proteínas G. As proteínas desse grupo funcionam de maneira análoga a interruptores: elas controlam diversas funções no organismo em função de estarem 'ligadas' ou 'desligadas'. A proteína G cristalografada pela equipe de Sondek pertence à família Rho, que está envolvida no controle do desenvolvimento celular. Proteínas dessa família ajudam a regular funções como a forma da célula, divisão, movimento e proliferação. Portanto, elas estão implicadas também no crescimento de tumores malignos.

Os pesquisadores descreveram a interação de uma proteína G da família Rho com uma proteína conhecida como Tiam1 - sigla em inglês para "fator de invasão de metástase e linfoma T". A Tiam1 interage com a proteína G de maneira a ativá-la ou desativá-la. Quando está super-expressa (presente na célula em quantidade superior à normal), a Tiam1 pode deixar a proteína G em estado continuamente 'ligado', o que pode provocar o alastramento do linfoma T (câncer que ataca os linfócitos T, células do sistema imunológico).

A equipe de Sondek, por meio de cristalografia de raios X, determinou a estrutura molecular tridimensional da interação entre a proteína G e a Tiam1. Segundo a bióloga Mônica Bucciarelli Rodriguez, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), "conhecer essa estrutura ajuda a escolher ou desenhar moléculas que possam bloquear a interação das proteínas". Isso poderia levar ao desenvolvimento de drogas para impedir o alastramento de células cancerosas.

Segundo Sondek, ainda não se sabe se é possível controlar voluntariamente a ativação da proteína G observada. A descoberta de sua equipe ajuda a entender melhor como funcionam essas proteínas e o que pode dar errado quando ocorrem mutações com alguma delas. Para dar seqüência à pesquisa, o cientista pretende determinar a estrutura molecular da interação de outras proteínas G com seus ativadores, de forma a construir um banco de dados que possa ser usado no desenvolvimento de novas drogas.

Bernardo Esteves
Ciência Hoje/RJ
15/12/00

 

 

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