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 NOTÍCIAS :: BIOLOGIA

A busca pelos limites do corpo
Livro revela como o ser humano reage quando exposto a situações extremas

Alpinistas chegaram pela primeira vez ao Everest (8848 metros) em 1978, quando se acreditava que a altitude máxima suportada pelo homem era de 8200 metros. Francisco Ferreras atingiu a maior profundidade do oceano já alcançada pelo ser humano num único fôlego (133 metros) em 1991. Um funcionário público britânico agüentou um calor de 105º C sem sucumbir à morte no fim do século 18. Pesquisadores russos suportaram um frio de -89º C em 1983.

Essas façanhas extraordinárias de resistência física são o tema de A vida no limite, recém-lançado livro de Frances Ashcroft, fisiologista da Universidade de Oxford (Inglaterra). A partir de conceitos físicos, químicos e biológicos, a autora examina o que ocorre no corpo humano quando exposto a situações extremas.

Em altitudes acima de 3000 metros, o homem enfrenta obstáculos como falta de oxigênio, frio, desidratação e radiação solar intensa. Porém, nativos de regiões ainda mais altas levam uma vida bem adaptada. Quem nasce em La Paz (Bolívia), a 3500 metros de altitude, tem lábios e unhas azulados devido à maior concentração de hemácias e menor fluxo sangüíneo. Pulmões maiores e a caixa torácica em forma de barril diminuem a dificuldade de respirar.

A pressão da água sobre o corpo também é árdua para o ser humano. Em profundidades maiores de 200 metros, o homem começa a sofrer os sintomas da síndrome nervosa de pressão alta -- tonturas, náusea e falta de atenção. O limite seguro para um mergulho com gás comprimido é de 30 metros, pois, sob pressão, os gases presentes no ar que respiramos (como o nitrogênio e o oxigênio) atuam como veneno.

Embora a maioria das células morra quando aquecidas a 50º C, o ser humano pode tolerar temperaturas do ar bem mais elevadas. Isso ocorre porque o suor resfria a pele e a deixa mais gelada que o ar. Em um clima frio, o corpo precisa de bastante sangue morno: as extremidades (mãos, pés, nariz, orelha) perdem calor pelo suor e são sacrificadas para manter o centro do organismo aquecido. Frio e calor extremos podem levar à morte -- a hipotermia, temperatura corporal menor que 35º C, e a hipertermia, acima de 42º C, são letais ao homem e ocorrem com relativa freqüência.

Os limites do corpo humano vão além de dualismos como frio/quente ou alto/baixo. Todo ano, atletas quebram recordes que desafiam sua resistência. O maratonista Ronaldo da Costa correu o equivalente a 1,6 quilômetros em 4,8 minutos quando bateu o recorde mundial -- ritmo muito superior àquele do qual uma pessoa não treinada é capaz. O desafio do corpo também é enfrentado pelos astronautas acostumados a enfrentar a força gravitacional excessiva durante a decolagem e ausente no espaço sideral ou a perda de pontos de referência visuais.

A vida no limite explica a ciência por trás da resistência do corpo a grandes profundidades, frio intenso ou ausência de gravidade


A narrativa de Ashcroft mistura relatos pessoais e fatos históricos e traz as explicações científicas em linguagem acessível. A combinação faz a leitura fluir com facilidade: A vida no limite prende a atenção do leitor até o fim. O resultado é um panorama completo e instigante da busca do homem pelos limites de seu corpo.
 
 

 

 

 

A vida no limite - a ciência da sobrevivência
Frances Ashcroft (trad.: Maria Luiza Borges)
Rio de Janeiro, 2001, Jorge Zahar Editor
315 páginas; R$ 34,00

Sarita Coelho
Ciência Hoje on-line
06/12/01

 

 

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