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 NOTÍCIAS :: BIOLOGIA

Encontrado no Piauí possível âmbar mais antigo do mundo
Se confirmada, idade da resina fóssil pode revolucionar conceitos da paleobotânica

Um âmbar -- fóssil de resina vegetal -- com idade provável de 380 milhões de anos foi encontrado no Piauí em maio de 2001. Se confirmada a datação, o âmbar será o mais antigo do mundo e poderá levar os paleobotânicos a considerarem a possibilidade de as plantas produtoras de resina (pertencentes ao grupo das gimnospermas e angiospermas) terem surgido há mais tempo na Terra do que se supunha ou de terem existido outros vegetais até então desconhecidos capazes de produzir resina. O material foi descoberto por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco e está sendo submetido a análises no Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O âmbar encontrado no Piauí tem cerca de 1 centímetro de diâmetro. A cor escura indica sua idade avançada

O âmbar é uma resina fóssil, de cor entre amarelo e marrom, produzida a princípio por vegetais lenhosos. Os primeiros registros desses vegetais são de espécies pertencentes ao grupo das coníferas que viveram no período Carbonífero, há cerca de 350 milhões de anos. Segundo Maria Somália Viana, uma das paleontólogas responsáveis pela descoberta, 30 milhões de anos antes, no período Devoniano da era Paleozóica -- no qual teria surgido o âmbar encontrado --, as plantas terrestres que existiam eram vasculares e sem sementes, mas incapazes de produzirem resina. "Por essa razão, o âmbar piauiense constitui um achado tão importante", afirma.

A peça, de um centímetro de diâmetro, foi encontrada em um sítio paleontológico no município de Pimenteiras, a cerca de 180 quilômetros de Teresina. O tipo de arenito em que o âmbar foi encontrado e outros fósseis descobertos na mesma camada de rocha indicam um ambiente de deposição em delta. Assim, a resina, após cair no solo e endurecer, teria sido carregada por um rio até o mar. Ali, teria permanecido no subsolo por milhares de anos até aparecer na superfície devido à erosão das camadas de arenitos.

Formação Cabeças, na qual o âmbar foi encontrado, em Pimenteiras (PI)

O achado foi submetido à técnica da datação relativa, que permite inferir a idade do material a partir da correlação com fósseis de idade já conhecida. No entanto, a idade e a composição química do âmbar ainda estão sendo analisadas e suscitam dúvidas. "Tanto a rocha onde foi encontrado o material quanto o âmbar propriamente dito podem ser mais novos do que acreditamos, já que não havia vegetação que produzisse resina no período Devoniano", afirma Ismar Carvalho, paleontólogo envolvido ao lado da pesquisadora Débora de Almeida Azevedo na análise química do material. "Na literatura mundial não há registros de um âmbar dessa idade."

Para Somália Viana, se a idade de 380 milhões de anos for confirmada, a hipótese provável é que tenham existido no Devoniano plantas que já produzissem resina e que não são conhecidas atualmente. "A possibilidade bastante remota de que as gimnospermas tenham surgido na Terra alguns milhões de anos antes do que é registrado pela paleobotânica é muito mais remota", afirma a pesquisadora. "De qualquer forma, o novo achado deve servir de base para revisões conceituais com relação à origem e evolução das plantas no planeta."

Caroline Vilas Bôas
Ciência Hoje on-line
18/01/02

 

 

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