O achado foi submetido à técnica da datação relativa, que permite inferir a idade do material a partir da correlação com fósseis de idade já conhecida. No entanto, a idade e a composição química do âmbar ainda estão sendo analisadas e suscitam dúvidas. "Tanto a rocha onde foi encontrado o material quanto o âmbar propriamente dito podem ser mais novos do que acreditamos, já que não havia vegetação que produzisse resina no período Devoniano", afirma Ismar Carvalho, paleontólogo envolvido ao lado da pesquisadora Débora de Almeida Azevedo na análise química do material. "Na literatura mundial não há registros de um âmbar dessa idade."
Para Somália Viana, se a idade de 380 milhões de anos for confirmada, a hipótese provável é que tenham existido no Devoniano plantas que já produzissem resina e que não são conhecidas atualmente. "A possibilidade bastante remota de que as gimnospermas tenham surgido na Terra alguns milhões de anos antes do que é registrado pela paleobotânica é muito mais remota", afirma a pesquisadora. "De qualquer forma, o novo achado deve servir de base para revisões conceituais com relação à origem e evolução das plantas no planeta."
Caroline Vilas Bôas
Ciência Hoje on-line
18/01/02