, que em 1944 deu caráter científico à definição de vida. Incapaz de explicar satisfatoriamente o termo, o cientista afirmou que a vida acabaria sendo esclarecida pelas leis da física e da química. Porém, a visão mecanicista do mundo, que propõe o organismo como máquina química e física, não satisfaz Margulis e Sagan. Entre outros, porque essa visão nega o livre arbítrio e não explica a autoconsciência humana.
Com o respaldo de todas as ciências, eles propõem oito diferentes definições para vida. Sem desprezar o papel isolado de cada ser vivo, os autores crêem que a vida apresenta propriedades que transcendem os limites de indivíduos e espécies. Eles encaram todo o planeta como um sistema vivo global, autotransformador e sem hierarquias.
Margulis e Sagan enfatizam muito mais a cooperação entre organismos no processo evolutivo do que a competição proposta pela tradição darwiniana. Eles contam que as células nucleadas dos mamíferos, por exemplo, não só descenderam de antigos micróbios como são, literalmente, amálgamas de bactérias diferentes.
Em O que é sexo?, os autores partem da mesma premissa de cooperação para derrubar tabus sobre a evolução da sexualidade. A transgenia e o canibalismo, por exemplo (malvistos pelo senso comum), foram fundamentais para a evolução das bactérias e da sexualidade. Alguns organismos engolfam outros para se protegerem de condições adversas. Do sexo fusional surgiu o sexo dual. O livro separa a atividade sexual do conceito de reprodução e aborda temas atuais ao pensar as conseqüências da revolução cibernética em nossas relações sexuais e sociais.
Os autores buscam forçar o leitor a pensar os conceitos de vida e sexualidade sob prismas diversos. Em um momento, ele é conduzido a 'olhar' a vida como se estivesse em Marte. Em outro, é levado a tratar o termo como verbo, e não substantivo. Detalhes sobre a vida sexual de alguns organismos fazem contos do Marquês de Sade parecerem triviais. E assim o leitor questiona a vida e o sexo de modos antes impensados. Tudo com uma linguagem simples que não dispersa a atenção do leigo.