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A coroa é o círculo luminoso que se consegue ver ao redor do Sol quando, por exemplo, ocorre um eclipse completo do astro, como na imagem acima. Ela é a parte externa da atmosfera solar, estando separada de sua superfície visível (a fotosfera) por uma 'fina' camada de alguns milhares de quilômetros chamada cromosfera. A coroa solar é uma estrutura bastante complexa e sua extensão varia muito de acordo com a atividade do astro, podendo atingir distâncias que ultrapassam 20 vezes o tamanho do raio do Sol - que é de quase 700 mil quilômetros.

 

 NOTÍCIAS :: ASTRONOMIA E EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Em busca da origem do calor solar
Satélite da Nasa investiga erupções que ocorrem na coroa do astro

 A maior parte do calor emitido pela coroa do Sol tem origem na base das erupções que ali ocorrem, segundo indicam observações recentes de um satélite da Agência Espacial Norte-americana (Nasa). A descoberta é considerada pelos astrônomos mais um passo na tentativa de se desvendar por que a coroa solar chega a ser 300 vezes mais quente que sua superfície visível.

Os anéis formados pelas erupções solares podem trazer a resposta para um mistério: a origem das altas temperaturas da coroa do astro


As erupções solares são ocasionadas por imensas fontes de gases lançados a grandes velocidades na região mais longínqua da atmosfera do astro (localizada a uma distância de cerca de 15 mil quilômetros de sua superfície visível). Os gases emergem da superfície e são lançados na coroa, onde atingem temperaturas de mais de 1,5 milhão de graus centígrados, formando arcos chamados anéis coronais (alguns tão grandes que poderiam envolver cerca de 30 planetas Terra). Depois, esfriam e voltam a se chocar com o Sol a uma velocidade próxima a 100 quilômetros por segundo.

Os cientistas estão interessados em compreender as erupções solares sobretudo porque suas fontes de energia, vez por outra, afetam e corrompem sistemas de alta tecnologia na Terra. "As erupções produzem partículas energéticas formando o vento solar que pode danificar ou interferir na comunicação de satélites", disse à CH on-line Markus Aschwanden, do Laboratório Solar e Astrofísico da Lockheed-Martin, na Califórnia (Estados Unidos). "Quando esses prótons e elétrons em alta velocidade alcançam nossa atmosfera, causam tempestades geomagnéticas que alteram o campo magnético terrestre, gerando ondas energéticas que afetam antenas de rádio e TV ou linhas de transmissão, podendo causar blecautes em cidades."

A coroa solar foi observada pelo Trace (sigla em inglês
para 'Explorador da Coroa e da Região de Transição')

As imagens obtidas pelo satélite da Nasa revelaram também que os anéis coronais podem ser comparados a cordas, ou seja, cada um deles é formado por diversos anéis mais finos trançados em espiral. Além disso, os astrônomos chegaram a um resultado que contraria o modelo anterior de aquecimento dos arcos. O astrônomo Walter Maciel, da Universidade de São Paulo (USP), explica a teoria antiga: "como a região da base do anel se resfria mais que a região do topo, ela deveria ter uma temperatura mais baixa, se o aquecimento fosse uniforme". As novas imagens mostram, no entanto, que não há muita variação na temperatura dos anéis e que, portanto, o aquecimento deve ser maior na base.

Maciel considera interessantes os resultados do estudo. "Inclusive porque ele poderá, em princípio, ser aplicado também a outras estrelas semelhantes ao Sol, para as quais esse tipo de observação é impossível."

Pablo Pires Ferreira
Ciência Hoje/RJ
01/11/00

 

 
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