SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 

 

 

 NOTÍCIAS :: ASTRONOMIA E EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Montanhas de Calisto sofrem erosão
Imagens surpreendentes revelam detalhes da superfície do satélite de Júpiter

Fotos tiradas pela sonda Galileu -- que está em órbita de Júpiter desde 1995 -- mostram que Calisto, um dos maiores satélites do planeta, tem uma superfície cheia de montanhas de gelo e poeira, aparentemente em erosão. A sonda chegou a estar a 138 quilômetros de distância da superfície da lua, e as fotos, extremamente nítidas, surpreenderam os cientistas.

Primeira foto colorida que mostra Calisto por inteiro, tirada pela sonda Galileu em 25 de maio (imagens: Nasa)

A Galileu foi lançada em 1989 pelo ônibus espacial Atlantis. Sua missão era fotografar as superfícies de Júpiter e de suas luas, especialmente os chamados satélites galileanos -- Io, Europa, Ganimedes e Calisto --, descobertos

pelo astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642).

Das quatro grandes luas de Júpiter, Calisto é a mais distante do planeta (a 1.882.700 quilômetros, ou quase cinco vezes a distância entre a Terra e a Lua). Sua superfície, formada por rochas e gelo, tem uma quantidade de crateras maior que a de qualquer lua no Sistema Solar (um dado curioso: Calisto é quase do tamanho de Mercúrio). Ao contrário das outras três, Calisto não passou por um processo de 'rejuvenescimento': atividades vulcânicas e tectônicas que tiraram os vestígios de crateras existentes em suas superfícies. Calisto é considerado geologicamente 'morto', ou seja, não tem vulcões, ventos, ou chuvas.

As fotos da Galileu surpreenderam os cientistas justamente por mostrarem montanhas de gelo e poeira sofrendo erosão -- não esperada em um ambiente 'morto'. Segundo os astrônomos, essas montanhas teriam surgido após impactos com asteróides ou meteoros bilhões de anos atrás. Cada topo claro de poeira parece estar envolto por uma poeira mais escura, que aparentemente desliza do topo, o que caracterizaria o processo de erosão.

No detalhe superior, montanhas de gelo de Calisto. O processo de erosão
tende a tornar plana a região montanhosa, como mostra o detalhe inferior

Para os cientistas, a explicação para a erosão seria o fato de que, à medida que a gelo das montanhas evapora, a poeira que está colada ao gelo se solta e desliza para as partes mais baixas da montanha. Assim, todas as montanhas de Calisto desapareceriam no futuro.

Com as novas fotos, espera-se definir ao certo a idade de Calisto. Ao contar o número exato de crateras em sua superfície, os cientistas poderão estimar com precisão sua idade e, conseqüentemente, dos outros satélites galileanos.

 

Tiago Lethbridge
Ciência Hoje on-line
24/08/01

 

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO