Arte fundamenta nova linguagem para ensinar ciência
Vídeo busca despertar emoções para facilitar compreensão da atividade da mitocôndria
Membrana, citoplasma e cromossomos: assim os cientistas descreveriam uma célula. Já os artistas tendem a enxergá-la como um conjunto de cores, formas e texturas. Essas duas percepções, que à primeira vista parecem incompatíveis, podem ser misturadas e trazer benefícios para quem quer aprender ciência.
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No vídeo A mitocôndria em 3 atos, artistas e cientistas buscam conciliardiferentes perspectivas para melhor explicar o funcionamento da organela | |
Essa combinação inovadora, proposta por profissionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), levou à criação de um CD-ROM sobre a mitocôndria -- organela celular responsável pela produção de energia. Trata-se de um vídeo que busca facilitar a compreensão das atividades da organela ao explorar as relações entre ciência e arte. A idéia é criar uma nova linguagem para ensinar ciência e derrubar um antigo preconceito segundo o qual cientistas seriam frios e indiferentes -- o oposto do estereótipo do artista.
O CD-ROM foi desenvolvido no Departamento de Bioquímica Médica, por uma equipe que inclui o professor Leopoldo de Meis, Diucênio Rangel, formado pela escola de Belas Artes e que no doutorado trabalha com difusão da ciência, e Marcelo Neves, Mario Ribeiro e Alexandre Machado, que criam por computação gráfica as imagens do vídeo.
Intitulado A mitocôndria em 3 atos, o vídeo aborda as atividades da organela a partir de óticas diferentes. Primeiramente, ela é apresentada sob a perspectiva do cinema, em que imagens em movimento ilustram uma narrativa sobre a origem e evolução da mitocôndria. Em seguida, a organela é descrita por equações químicas e esquemas que parecem retirados de um livro didático convencional: o espectador se sente em uma tradicional sala de aula. No terceiro ato, o vídeo adota uma linguagem artística, que trabalha sons, cores, formas e movimentos para despertar as emoções do espectador.