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A favela Brás de Pina (RJ), antes e após urbanização feita pela Codesco e o grupo Quadra de arquitetura, com o apoio de moradores (fotos: Quadra) | | |
As favelas começaram a surgir no fim do século 18, com a demolição maciça de cortiços para eliminar focos de epidemias e liberar áreas valorizadas da cidade ocupadas por essas habitações. A solução encontrada pelos moradores -- escravos libertos, migrantes rurais e imigrantes europeus -- foi construir barracos nos morros da cidade.
"A partir da década de 1920, a expansão das favelas tornou-se incontrolável e ocupou morros próximos aos bairros habitados pela elite", diz Stella. "Começou a tomar forma a estrutura vista em poucas cidades do mundo: a combinação de enorme distância social e grande proximidade física." Em 1937 foi criado pela prefeitura um código que previa a erradicação das favelas e alocação dos moradores em "habitações proletárias". Mas a construção de casas populares foi insuficiente: a população favelada à época era de 250 mil pessoas; apenas 8 mil foram transferidas.
Entre 1947 e 1960, duas tentativas de urbanização das favelas partiram de grupos ligados à Igreja Católica. Ambas implantaram melhorias em serviços básicos e foram apoiadas por um órgão oficial -- o primeiro a tratar de urbanização de favelas. No entanto, esse órgão perdeu espaço com a troca de governo.
A partir de 1962, durante o governo Carlos Lacerda, a política em relação a favelas voltou a ser a de remoção. Foram construídos novos conjuntos habitacionais, geralmente em áreas muito distantes dos locais de trabalho, o que aumentava os gastos com transporte, além do custo extra com as prestações da casa. Uma favela, a de Brás de Pina, resistiu à força às tentativas de remoção, o que chamou a atenção de um grupo de arquitetos recém-formados, a Quadra, que passou a apoiar os moradores na urbanização do local.