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 NOTÍCIAS :: ARQUEOLOGIA E PALEONTOLOGIA

Método orgânico é o melhor para extrair DNA de fósseis

Comparação de nove técnicas beneficia arqueologia, paleontologia e medicina legal

O trabalho de arqueólogos e paleontólogos nem sempre é tão glamuroso quanto nos filmes de Indiana Jones. Muitas vezes, ele é realizado em laboratórios, onde a análise de materiais bioquímicos recuperados de fósseis é feita a fim de desvendar como era a vida de povos antigos. Para facilitar o trabalho de profissionais que trabalham com extração de DNA de fósseis, um estudo definiu o método mais eficaz para isso.

Antes da extração do DNA, os ossos foram serrados e pulverizados

Após testar nove métodos para a extração de DNA de ossos fossilizados de índios de Santa Catarina encontrados em ambiente úmido, a farmacêutica Daniela Gaeta Arruda, em dissertação de mestrado defendida na Universidade de São Paulo (USP), garante que o melhor deles é o orgânico.

O método de extração orgânica é o mais indicado por possuir uma etapa específica de purificação dos ácidos nucléicos capaz de remover impurezas do DNA, como contaminantes presentes no solo, proteínas e restos celulares. "Esse método contribui ainda para a purificação do DNA com a precipitação e lavagem alcoólica dos ácidos nucléicos", diz Daniela.

O material adotado na pesquisa, escavado de seis sítios arqueológicos do litoral catarinense durante as décadas de 1960 e 1970, foi encontrado em sambaquis -- montes cônicos formados por restos de cascas de moluscos e carvão vegetal -- construídos pelas primeiras populações indígenas que chegaram ao estado há mais de 5 mil anos. Os ossos estavam armazenados no Museu do Homem do Sambaqui, em Florianópolis.

 Antes mesmo de testar os métodos, a pesquisadora teve de limpar minuciosamente os ossos. Alguns foram guardados ainda sujos de terra em caixas de papelão e embrulhados em jornal. "O ideal seria conservá-los limpos e congelados a uma temperatura de -70°C", afirma Daniela. Após a limpeza macroscópica, pedaços dos 436 ossos de 190 esqueletos usados no estudo foram pulverizados. Em seguida, os fragmentos de DNA foram extraídos e amplificados por meio da reação em cadeia da polimerase (PCR), técnica que sintetiza milhões de cópias idênticas de um dado trecho do DNA.

A idéia inicial do mestrado de Daniela era estudar desde quando existe a prevalência do tipo sanguíneo O dos índios de Santa Catarina, constatada até hoje. No entanto, isso não foi possível devido ao estado em que se encontrava o DNA dos ossos. "Além do ambiente hidrolítico, os ácidos húmico e fúlvico presentes na terra também degradaram bastante o DNA", diz ela.

O estudo de Daniela pode ser útil em várias áreas do conhecimento, e não só para a paleontologia e arqueologia. "Meu trabalho pode servir de referência para quem trabalha com a análise de ossos encontrados nas mesmas condições, como médicos e peritos legais."

O próximo passo seria um estudo sobre a extração de DNA de múmias -- tema possível para seu futuro doutorado. Diferentes dos fósseis analisados, que foram encontrados em áreas litorâneas e, por isso, sofreram bastante com a ação das marés, os ossos de múmias são preservados em ambientes quentes e secos, ideais para a conservação da molécula de DNA.

Liza Albuquerque
Ciência Hoje On-line
28/10/03 

 

 
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