Há 300 milhões de anos, ancestrais dos aracnídeos já eram capazes de produzir a seda usada para compor teias. Geólogos da Universidade do Estado de Ohio chegaram a essa conclusão a partir da observação de evidências em um fóssil de um dos primeiros animais a colonizar a terra, da espécie Aphantomartus pustulatus, pertencente à ordem extinta dos trigonotarbídeos. A descoberta foi apresentada em novembro na reunião anual da Sociedade Geológica Norte-americana, em Seattle.
A 'seda pré-histórica' seria produzida por estruturas reveladas a partir de análises microscópicas do fóssil. Chamadas de microtubérculos, elas consistem em pequenas projeções que formam saliências arredondadas nas pernas posteriores da A. pustulatus. Segundo o paleobiólogo Cary Easterday, coordenador da pesquisa, essas estruturas se organizam de maneiras diferentes e poderiam desempenhar mais de uma função.
Os microtubérculos localizados na patela e na tíbia das pernas traseiras ocorrem em fileiras e se assemelham às estruturas das aranhas modernas responsáveis por conduzir a seda (o calamistro). A semelhança reside tanto na localização quanto no próprio formato em que se organizam. Easterday lembra que esses microtubérculos não eram necessariamente utilizados com tal propósito. "As fileiras podem representar estruturas de limpeza ou ainda ser bases de pêlos especializados em respostas de ataque ou fuga", disse ele à CH On-line. <