Além da castanha e do suco
Pesquisadores da Embrapa produzem pães e biscoitos a partir do bagaço de caju
Que tal experimentar um pão quentinho feito de farinha de caju? Os pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, já aprovaram essa guloseima, considerada mais nutritiva que o pão feito com a tradicional farinha de trigo. Ao fabricar alimentos com farinha de caju, eles conseguiram aproveitar o bagaço da fruta, um subproduto usualmente descartado na indústria alimentícia.
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O bagaço do caju, normalmente descartado na indústria alimentícia, pode ser usado como matéria-prima de vários alimentos | |
Do total das 35 mil toneladas de caju produzidas anualmente na região Nordeste, 15% são aproveitados para a fabricação do suco. O restante é destinado à produção da castanha de caju. Nos dois casos, o bagaço da fruta é descartado. Os pesquisadores decidiram utilizá-lo na preparação de uma farinha que pode ser matéria-prima de pães, bolos e biscoitos. Dessa maneira, eles amenizam o desperdício e aproveitam as sobras nutritivas, seguindo uma tendência entre os cientistas.
A equipe comandada pelo engenheiro de alimentos José Luis Ascheri preparou salgadinhos com uma mistura de 50% de farinha de caju e 50% de farinha de trigo. Segundo Ascheri, o salgadinho conservou a crocância e capacidade de expansão - por causa do trigo - e também teve aumentado seu valor nutritivo - propriedade adquirida do bagaço do caju. Os pesquisadores produziram também uma farinha mista de arroz, trigo e caju.
A farinha de caju apresenta vantagens em relação a seus similares. "Seu teor de minerais - principalmente fósforo, cálcio, ferro e potássio - é superior ao das farinhas de outros cereais", disse Ascheri. Ela tem também mais proteínas que o arroz, o milho e o trigo, além de um alto teor de fibra dietética, considerada mais "leve" que a fibra obtida dos cereais devido a seu menor peso molecular. "Tudo isso com sabor e aroma de caju", garante Ascheri.
Rachel Ruiz Romano
Ciência Hoje/RJ