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 Geografia
Bem-vindo à China
O que o país-sede dos Jogos Olímpicos de 2008 tem de especial?


(Ilustração: Walter)

Nesta sexta-feira, dia oito de agosto de 2008, às 8 horas e oito minutos da noite em Beijing, a capital da China, acontece a abertura de mais uma edição dos Jogos Olímpicos. No Brasil, serão nove horas e oito minutos da manhã.

Aproveitando que sua atenção certamente estará voltada para as competições esportivas que irão acontecer do outro lado do mundo, que tal saber mais sobre a China?


Um país, bilhões de habitantes
A China é o país mais populoso do planeta: um bilhão e trezentos milhões de pessoas vivem lá. Isso quer dizer que, de cada 100 pessoas que habitam o nosso planeta, 20 encontram-se na China. Dá para acreditar?!


A escolha do oito
Não é à toa que os Jogos Olímpicos serão abertos às oito horas e oito minutos da noite de oito de agosto de 2008. O oito é um bom número, segundo os chineses. “Na numerologia chinesa, oito tem a pronúncia semelhante a “fa”, isto é, prosperidade”, conta o historiador Shu Sheng, do Núcleo de Estudos Contemporâneos da Universidade Federal Fluminense.


Só filhos únicos

(Ilustração: Marcello Araújo)

Já imaginou não ter um irmão? E nem conhecer ninguém que tenha um? Pois, na China, é assim. Tudo porque cada casal só pode ter um filho, para evitar que a população cresça tanto que não haja recursos suficientes para mantê-la. “O planejamento familiar começou nos anos de 1970, quando o então presidente Mao Zedong percebeu a necessidade de controle. Mas passou a vigorar com maior rigor em 1979”, conta Shu Sheng.

Mesmo com esses esforços, porém, o número de bebês que nascem a cada ano na China é de assombrar: em 2002, foram 16,47 milhões. Se fosse permitido que os casais tivessem mais de um filho, acredita-se que a China já teria, hoje, mais de 1,5 bilhão de habitantes.


Jogos de Pequim ou Jogos de Beijing?

(Ilustração: Rogério Coelho)


Nos meios de comunicação brasileiros, o mais comum é ouvir a expressão “Jogos Olímpicos de Pequim”. Porém, segundo Shu Sheng, o mais correto é falar “Jogos Olímpicos de Beijing”. Tanto é que todo material promocional das Olimpíadas chinesas traz essa inscrição.

Isso porque Beijing é Pequim em mandarim, a língua oficial da China, falada pela maioria. Pequim, por sua vez, tem sua origem em uma palavra pertencente a um dialeto falado no país apenas por parte da população e em determinadas regiões do território.


Muitos cifrões

(Ilustração: Paula Delecave)

Os Jogos Olímpicos de Pequim já são os mais caros da história. A China investiu 42 bilhões de dólares na sua realização, o equivalente a 63 bilhões de Reais. “As olimpíadas têm valor simbólico e político para a China”, explica Shu Sheng. É a oportunidade de o país mostrar uma nova face, muito mais modernizada, ao mundo.

Em 30 anos, a China mudou completamente. De uma nação empobrecida, tornou-se um dos países que mais crescem no mundo. Tanto é que, hoje, sua economia só perde para os Estados Unidos e Japão, além de empatar com a da Alemanha. Na prática, isso significa mais emprego, renda e oportunidades para a sua população. Só para você ter uma idéia, desde a década de 1980, cerca de 250 milhões de chineses saíram da miséria.


Chuva de críticas

(Ilustração: Mario Bag)

Apesar de tanto progresso, a China também recebe muitas críticas. Uma delas é com a falta de liberdade e de democracia. Na China, por exemplo, existe apenas um partido político: o Partido Comunista. Ele escolhe quem deve governar o país e o povo aceita a sua decisão. Ou seja, não há participação popular na escolha dos governantes. Além disso, há censura aos meios de comunicação. Não é toda página da internet que os chineses podem acessar, por exemplo.

Mas não é só. A China também é muito criticada por conta da exploração do meio ambiente que veio com o seu progresso econômico. A situação é tão grave que estatísticas apontam que o país superará em breve os Estados Unidos como o maior emissor de gases estufa do planeta, justamente os que estão relacionados ao aumento da temperatura da Terra. As Olimpíadas, porém, demonstram um esforço para mudar essa faceta de nação pouco amiga do meio ambiente. “Graças aos Jogos Olímpicos, a China optou por uma nova política de crescimento, que inclui o desenvolvimento científico, o crescimento sustentável e a harmonia entre a natureza e os seres humanos”, conta Shu Sheng.


Mara Figueira
Ciência Hoje das Crianças
07/08/2008
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