|
|
|
|
|
|
|
|
Crianças + cientistas = DESCOBERTAS!
Você pode ajudar pesquisadores a identificar novas espécies de moscas. Saiba como!
Que você é esperto, ninguém duvida. Está aí a sua família inteira para garantir. Mas o que você acha de usar toda essa inteligência para ajudar a ciência? Crianças americanas já fizeram isso e o resultado impressionou tanto uma cientista que, agora, ela busca, em parceria com outros pesquisadores, uma maneira de convidar crianças de todo o mundo para ajudar a identificar novas espécies de moscas da América do Sul.
|
|
Crianças de cerca de dez anos de idade de uma escola americana ajudaram cientistas a diferenciar, apenas com base na aparência, espécies diferentes de moscas da Venezuela (fotos: Marty Condon).
|
|
|
Foi em 1988 que a bióloga Marty Condon, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, notou, pela primeira vez, que estudantes poderiam ajudá-la a distinguir espécies diferentes, mas que são muito parecidas entre si. Isso aconteceu durante uma palestra dada por ela no Museu de História Natural, na cidade americana de Washington, para alunos que cursavam o equivalente ao Ensino Médio brasileiro.
Na ocasião, a pesquisadora contou um pouco do seu trabalho e convidou os estudantes a tentar encontrar diferenças entre as asas de duas espécies similares de moscas. Para surpresa da cientista, os alunos dobraram o número de características que a bióloga poderia usar para distinguir as duas espécies. A partir dessa experiência, Marty visitou, no início da década de 1990, mais de 20 escolas de ensino fundamental e, em uma, localizada na cidade americana de Manchester, crianças de cerca de dez anos de idade a ajudaram a diferenciar, apenas com base na aparência, três espécies de moscas da Venezuela.
“Eu usei um microscópio para fotografar as asas de 20 moscas de cada espécie. Os estudantes as compararam e descobriram uma maneira maravilhosa de diferenciar as espécies: uma das moscas apresenta manchas dispostas de uma forma que parece um homem se sentando”, conta a bióloga. Em reconhecimento ao trabalho dos estudantes, Marty batizou essa nova espécie de mosca com o nome científico de
Blepharoneura manchesteri,
também chamada de “a mosca de Manchester”.
É verdade que, antes da experiência com esses alunos, a bióloga já sabia que havia descoberto três espécies diferentes de moscas, porque as havia analisado geneticamente: isto é, analisado, por exemplo, o seu DNA, a molécula que determina as características físicas de cada espécie e que varia de uma para a outra.
Porém, Marty enfrentava dificuldades em distingui-las a partir de suas características físicas, algo muito importante, principalmente quando os cientistas vão a campo – ou seja, à natureza – estudar as espécies. “A análise genética é muito eficiente para revelar espécies, mas não ajuda a identificar moscas em campo. Quando vemos, por exemplo, uma mosca colocando ovos ou voando, gostaríamos de ser capazes de identificá-la apenas ao olhá-la”, explica.
|
|
As manchas das asas da espécie
Blepharoneura manchesteri
formam uma figura que parece um homem se sentando. Na imagem à esquerda, repare que a seta branca aponta para a cabeça do homem e a preta, para o banco que lhe serve de apoio. Essa descoberta foi feita por crianças americanas, que ajudaram, assim, os cientistas a distinguir essa espécie de mosca de outras semelhantes e a identificá-la na natureza. Agora, na imagem à direita, tente localizar a figura do homem se sentando, em uma fotografia colorida da asa da
Blepharoneura manchesteri.
|
|
|
Se as crianças de Manchester, porém, ajudaram Marty a resolver essa questão, saiba que os cientistas ainda buscam maneiras de tentar diferenciar muitas outras espécies de moscas da América do Sul. Se você clicar
aqui,
por exemplo, encontrará uma página em que há fotos das asas de seis espécies diferentes de moscas do Equador. Só que os pesquisadores não conseguem identificar diferenças na maneira como estão dispostas as manchas nessas asas, de forma a encontrar um modo de distinguir as espécies. Se você quiser tentar, porém, está convidado. Na página na internet, há até um
link
para relatar aos cientistas as suas conclusões – e não se preocupe com a língua, pois, embora seja americana, Marty entende um pouco de português.
Chamar crianças de todo o mundo para ajudar pesquisadores a diferenciar espécies de mosca – ou mesmo encontrar novas espécies –, aliás, é um dos projetos desta bióloga que, junto com outros pesquisadores, está buscando maneiras de tornar esse desejo realidade (leia 'Uma descoberta perto de você'). Embora não haja nada definido ainda, fica aqui a nossa torcida. Afinal, quem aí não quer dar uma mãozinha à ciência?
|
Uma descoberta perto de você
Em um país da América Central chamado Trinidad e Tobago, um grupo de pessoas tem observado moscas que pertencem à mesma família estudada pela bióloga Marty Condon, assim como os seus parasitas. Então, o que você acha de seguir esse exemplo? A idéia é que você procure moscas que põem seus ovos em flores e frutos de plantas nativas que pertencem à família do pepino. Algumas delas são mostradas aqui. Espécies de abóbora também têm moscas e, se for mais fácil, você pode ficar de olhos nelas. Caso prefira, no entanto, observe simplesmente as moscas que visitam plantas no seu quintal, no jardim da sua escola ou nas áreas verdes da sua cidade. Quem sabe há uma descoberta aguardando para ser feita – e justamente por você?
|
|
Acima à esquerda, espécie conhecida como
Gurania spinulosa,
muito comum nas Américas Central e do Sul. Abaixo e ao lado dela, duas plantas que os cientistas têm dificuldade de identificar a que espécies pertencem. Encontradas no Norte do Brasil, supõe-se que elas sejam exemplos das espécies
Gurania bignoniacea
e
Gurania sinuata,
respectivamente.
|
|
|
|
|
|
Mara Figueira
Ciência Hoje das Crianças
18/08/2008
|
|
|