Macacos me mordam!
Nasce, em cativeiro, primeiro filhote de uma espécie de primata que ficou 200 anos sem ser vista
Demorou, mas chegou! Nasceu, no Zoológico de São Paulo, o primeiro filhote de uma espécie de macaco seriamente ameaçada de extinção, que os cientistas ficaram mais de 200 anos sem ver. Trata-se do
Cebus flavius,
mais conhecido como macaco-prego-galego ou macaco-prego-dourado. O recém-nascido – uma fêmea, batizada de Maria – é o primeiro representante dessa espécie nascido em cativeiro, ou seja, em um local isolado, preparado para abrigar um animal.
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Maria, o filhote de macaco-prego-dourado nascido no Zoológico de São Paulo (foto: Adriano Gambarini/Banco de imagens do CPB/CMBio).
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Maria deixou esperançosos os cientistas, pois seu nascimento é a primeira de uma série de ações para a conservação da espécie, que corre o risco de desaparecer. Atualmente, o Zoológico de São Paulo tem dois casais de macaco-prego-dourado, incluindo os pais de Maria. Assim, os pesquisadores acreditam que outros filhotes ainda possam nascer, o que permitiria aumentar o número de animais dessa espécie, já que novos casais poderiam ser formados e, no futuro, se reproduzir.
O nascimento de Maria também merece ser comemorado porque estamos falando de uma espécie que ficou mais de 200 anos sem ser vista. Em 2004, porém, pesquisadores do Centro de Proteção de Primatas Brasileiros (CPB) encontraram pequenas populações de macaco-prego-dourado em regiões da mata atlântica de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. A princípio, eles pensaram estar diante de uma nova espécie, mas, depois de muitos estudos, concluíram que ela estava presente em escritos e desenhos do naturalista alemão Georg Marcgrave, datados de 1648. Além disso, também havia sido descrita, em 1778, com o nome de
Símia flavia
(macaco-dourado, em latim), por Yohann Schreber. Desde a descrição feita por esse naturalista alemão, porém, não havia mais sido encontrada.
Os pais de Maria e o outro casal de macaco-prego-dourado do Zoológico de São Paulo, no entanto, não chegaram ali por conta da redescoberta feita em 2004 pelo CPB. Na verdade, eles faziam parte de um grupo de 14 macacos dessa espécie apreendidos em cativeiros ilegais, junto com outros animais, na região da Zona da Mata nordestina em operações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Encaminhados para o CPB, eles seguiram, depois, para o zôo paulista.
Um morador do Nordeste
Típico da Zona da Mata nordestina, o macaco-prego-dourado tem um espesso pêlo dourado. “Esse animal mede aproximadamente meio metro, sem contar a cauda, e pesa, no máximo, três quilos. É, geralmente, onívoro: se alimenta tanto de frutos, flores e sementes, quanto de insetos, ovos e pequenos artrópodes”, explica Marcos Fialho, ecologista do CPB, lembrando que o macaco-prego-dourado ainda precisa ser melhor estudado, pois é pouco conhecido pelos cientistas, já que ficou mais de 200 anos sem ser encontrado por eles.
Nesse sentido, uma equipe do CPB realiza, atualmente, um mapeamento da espécie, ou seja, uma extensa pesquisa para descobrir onde são encontradas, no país, as populações desse tipo de macaco. “Nosso objetivo é concluir esse trabalho até o final de 2008”, conta Marcos Fialho, que acredita na existência de, aproximadamente, 20 populações de macaco-prego-dourado na Zona da Mata nordestina. A partir disso, os pesquisadores do CPB pretendem elaborar um plano de ação para conservar a espécie e, então, levar os macacos que estão em cativeiro de volta para casa. No total, isso pode levar de 10 a 30 anos para acontecer.
Saber onde estão e qual o número de macacos-pregos-dourados que existem no país também pode contribuir para que esses bichos sejam incluídos na próxima versão da lista de espécies ameaçadas de extinção da fauna brasileira. Aliás, depois do nascimento de Maria, o diretor do Zoológico de São Paulo assinou um documento que garante a adesão do macaco-prego-dourado ao programa de conservação em cativeiro. O primeiro filhote dessa espécie a nascer assim – bem como sua família – agradece!
Rachel Rimas
Ciência Hoje das Crianças
20/06/2008
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