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GALERIA :: GEOGRAFIA
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Natureza implacável
Filme relata história do balneário de Atafona (RJ), onde o avanço do mar destrói ruas e construções
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A praia de Atafona em 1961 (à esquerda) e em 2007 (à direita), quando o mar já havia avançado sobre boa parte da faixa costeira (fotos: Departamento Nacional de Obras e Saneamento e Gilberto Ribeiro).
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O balneário de Atafona, em São João da Barra, no norte fluminense, tem assistido, nos últimos anos, ao triste espetáculo da erosão causada pelo mar, que avança cada vez mais sobre a cidade. As ondas destroem casas, prédios e ruas e despertam o temor e a curiosidade de turistas e da população local. Esse melancólico cenário é o mote do documentário ficcional
Atafona, por quê?,
realizado por alunos do curso de Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com alunos de Geografia da UFF e de Engenharia Cartográfica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
A idéia do filme surgiu como uma forma de alertar as pessoas sobre a situação difícil em que se encontram os habitantes da praia de Atafona, que são obrigados a deixar seus lares para trás. O documentário tem 18 minutos de duração e é dirigido pelo professor Miguel Freire, do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da UFF, e produzido pelo cartógrafo Gilberto Pessanha Ribeiro, dos departamentos de Análise Geoambiental da UFF e de Engenharia Cartográfica da Uerj.
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A erosão causada pelo mar destruiu casas, prédios e ruas na praia de Atafona e a alta concentração de sal das águas matou a vegetação local (foto: Projeto Atafona).
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Atafona, por quê?
mostra as diferentes visões sobre as causas do avanço do mar na região. Para isso, usa as personagens Atenah, que representa o discurso científico; e Métis, que traz o relato melancólico dos moradores; além das indagações da pequena Atafona. Filmado em novembro de 2006, o curta-metragem contou com a participação de atrizes locais.
Segundo Ribeiro, que estuda o avanço do mar em Atafona desde 2004, a causa mais provável do fenômeno é a combinação de fatores naturais, como o vento, as ondas e o movimento das marés. A força dos ventos amplia a capacidade destrutiva das ondas sobre a praia e faz com que o mar avance cada vez mais rápido.
Além disso, a ação humana é um agravante. “A construção de barragens no rio Paraíba do Sul diminuiu a quantidade de sedimentos e água que chegam à praia”, explica. “Dessa forma diminui-se a faixa de areia e aumenta-se a intensidade da erosão.” Os sedimentos acumulados nas margens do rio acabam sendo levados pelo vento e formam dunas que invadem a cidade.
Avanço constante
A equipe de Ribeiro recuperou dados históricos dos últimos 50 anos, fotos aéreas e imagens de satélite para analisar o avanço da linha d’água na região. Então, criou mapas digitais indicativos da tendência de variação da linha da costa.
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Os sedimentos acumulados às margens do rio Paraíba do Sul devido à construção de barragens são levados pelo vento e formam dunas que invadem a cidade (foto: Projeto Atafona).
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Até 2006, o avanço das águas era de 3 metros por ano, mas, a partir de 2007, a situação se agravou e o mar tem progredido a uma velocidade de 5,7 metros por ano. “Ao todo, o avanço chega a 480 metros em algumas regiões”, ressalta Ribeiro. “Esse fenômeno é cíclico e pode continuar pelos próximos 100 anos”, alerta.
Além das perdas imobiliárias, o avanço do mar também causa um enorme dano ambiental. As águas invadem áreas de manguezal e as altas concentrações de sal destroem a vegetação local, o que gera um grande prejuízo para os catadores de caranguejo locais. Por outro lado, o fenômeno estimulou o turismo na região, que atualmente recebe cerca de 200 mil turistas e veranistas por ano.
Atafona, por quê?
mostra, de maneira brilhante, como arte e ciência podem caminhar juntas. O filme usa imagens insólitas, como praias repletas de ruínas e destroços e dunas de areia que engolem casas, e traça um relato poético do fenômeno natural. Dessa forma, consegue chamar a atenção da sociedade para um problema negligenciado pelas autoridades locais.
Agora a equipe de Ribeiro está programando um novo filme, que mostrará o progresso da erosão depois da realização do primeiro documentário. “Hoje muitas casas que pareciam seguras por estarem distantes do mar na época das filmagens já foram engolidas pelas águas”, ressalta.
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Atafona, por quê?
Direção: Miguel Freire
Produção: Gilberto Pessanha Ribeiro
Cor, 18 minutos
Rio de Janeiro, 2008, Projeto Atafona
O filme pode ser baixado gratuitamente na
página do Projeto
na internet
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Igor Waltz
Ciência Hoje On-line
18/06/2008
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