Um crocodilo nos mares pré-históricos brasileiros
Conheça o predador marinho que viveu há 62 milhões de anos!
Os paleontólogos brasileiros fizeram uma descoberta fascinante no nordeste do país. Depois de escavar a mina Poty, 30 quilômetros ao norte da cidade de Recife, e encontrar, a princípio, somente dentes de tubarão e ossos de peixes, eles finalmente acharam um fóssil muito diferente, parecido com um crocodilo pré-histórico. Conforme o esqueleto era retirado das rochas, os paleontólogos confirmaram as suas expectativas iniciais: não é que ele pertencia a uma nova espécie de dirossaurídeo?
Dirossaurídeos são parentes distantes dos crocodilos, jacarés e gaviais – uma espécie de réptil com o rosto mais fino – e pertencem a um grupo classificado como crocodiliformes. Os dirossaurídeos eram animais marinhos que nadavam pelos mares há 70 milhões de anos e, diferentemente dos dinossauros, tinham o rosto comprido e dentes finos, além de cauda com vértebras alongadas.
O fóssil encontrado em Pernambuco pelo paleontólogo José Antônio Barbosa foi chamado de
Guarinisuchus munizi.
A inspiração para batizá-lo veio das palavras “guarani” – que, em tupi, significa “guerreiro” – e “suchus” – que vem do grego e é usada para nomear espécies de crocodiliformes extintos. O termo
munizi
foi uma homenagem ao paleontólogo Geraldo da Costa Muniz, que ajudou nas pesquisas no Nordeste.
Com 62 milhões de anos e três metros de comprimento, o
Guarinisuchus munizi
é o mais completo fóssil de dirossaurídeo já encontrado no Brasil. Os cientistas acreditam que esse grupo surgiu na África, mas, com o tempo, teria se distribuído pelas Américas. E, apesar de ser comparado com os crocodilos, era bem diferente do animal que conhecemos hoje. “Na verdade, o
Guarinisuchus munizi
é mais parecido com o gavial, por causa do rosto longo. Além disso, ficava principalmente na água e só saía, talvez, quando ia colocar ovos em terra firme”, conta o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Segundo o pesquisador, que também participou do estudo que levou à descoberta da nova espécie, o
Guarinisuchus munizi
substituiu os mosassauros: um grupo extinto de lagartos marinhos, que eram os principais predadores do mar do Cretáceo e não sobreviveram à grande crise de extinção ocorrida nesse período e no seguinte, o Paleógeno. “A mina Poty é um grande depósito marinho. Nela podemos ver a diferença entre esses dois períodos geológicos, graças ao registro preservado nas rochas”, explica Alexander Kellner.
Com a extinção dos mosassauros, os dirossaurídeos passaram a ocupar a posição de predadores do mar. De acordo com Kellner, o
Guarinisuchus munizi
dividia o oceano com tubarões e tartarugas. Seus dentes compridos e o focinho longo, aliás, indicam que seu prato preferido era peixe.
Depois de ter sido estudado, o dirossaurídeo ganhou uma reconstrução que pode ser vista no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Para que ela fosse produzida, os pesquisadores estudaram cada detalhe do esqueleto do animal e imaginaram como era o ambiente em que ele vivia. Os paleontólogos trabalharam com a hipótese, por exemplo, de que a cor da pele do
Guarinisuchus munizi
era azul, já que muitos animais marinhos desse porte possuem um tom azulado. E como o esqueleto é o mais completo já encontrado, esse trabalho pôde ser feito com muita precisão.
Além do
Guarinisuchus munizi,
quem for ao Museu Nacional terá a oportunidade de ver também o maior dinossauro já montado do Brasil: um herbívoro chamado
Maxakalisauros topai.
Portanto, se você adoraria ver como eram esses animais fascinantes que habitaram a Terra há milhões de anos, agende logo a sua visita.
Juliana Marques
Ciência Hoje das Crianças
02/06/2008
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Museu Nacional
Aberto de terça a domingo das 10h às 16h.
Devido às obras de restauração do prédio, que também promoverão melhorias na exposição, está sendo concedido aos visitantes ingresso promocional no valor de R$ 3. Menores de 5 anos não pagam entrada e crianças de 6 a 10 anos pagam R$ 1.
Endereço: Quinta da Boa Vista, São Cristóvão,
Rio de Janeiro/RJ.
Tel.: (21) 2562-6055.
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Confira imagens da nova espécie de crocodiliforme descoberta em Pernambuco (clique para ampliar).
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Assim era o
Guarinisuchus munizi,
que viveu no Nordeste brasileiro há cerca de 62 milhões de anos.
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Os fósseis da nova espécie de réptil foram encontrados na mina Poty, ao norte de Recife (foto: A. Kellner).
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No alto, o crânio do
Guarinisuchus munizi.
Na parte inferior, a reconstituição do crânio e da mandíbula do animal.
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O início da reconstituição do
Guarinisuchus munizi.
A réplica da nova espécie, com 3 metros de comprimento, está em exposição no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (foto: João C. Ferreira).
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