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  GALERIA :: GENÉTICA

Genes de tigre-da-tasmânia ressuscitados
Seqüências genéticas desse animal já extinto são implantadas com sucesso em camundongos

Considerado uma ameaça aos rebanhos da região, o tigre-da-tasmânia foi caçado até sua extinção em vida selvagem, por volta de 1900 (foto: Benjamin Sheppard/Galeria de Arte e Museu da Tasmânia).


A extinção de um animal pode não representar o fim da possibilidade de estudar as funções biológicas de seus genes. Seqüências genéticas do tigre-da-tasmânia, extinto na década de 1930, foram implantadas com sucesso em embriões de camundongos. Essa é a primeira vez que o DNA de uma espécie extinta é usado para produzir uma resposta funcional em outro organismo.

Até agora os pesquisadores eram capazes apenas de analisar in vitro seqüências de genes extraídas de animais extintos. “Essa pesquisa foi essencial para darmos um passo adiante e examinarmos a função de genes já extintos em um organismo inteiro”, afirmou à imprensa Andrew Pask, pesquisador da Universidade de Melbourne (Austrália) e coordenador do estudo, que teve também autores da Universidade do Texas (Estados Unidos).

Sabe-se muito pouco sobre o tigre-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus), também conhecido como lobo-da-tasmânia. Por ser considerado uma ameaça aos rebanhos dessa ilha ao sudeste da Austrália, o animal foi caçado até sua extinção em vida selvagem, por volta do ano 1900. O último desses marsupiais carnívoros morreu em cativeiro no zoológico da cidade de Hobart, na Austrália, em setembro de 1936.

Os pesquisadores isolaram parte do DNA de espécimes do tigre preservados há mais de 100 anos em etanol no Museu Victoria, em Melbourne. Eles escolheram o gene Col2a1, por ser relativamente conservado entre os mamíferos. Depois de se certificarem de que o DNA realmente pertencia ao animal, o material foi injetado em embriões de camundongos. Os genes foram reativados e assumiram a função de desenvolver a cartilagem que mais tarde formaria os ossos dos roedores.

Os resultados da pesquisa, publicados esta semana na revista PLoS One, mostram que o gene Col2a1 tem a função de desenvolver ossos e cartilagens nos tigres-da-tasmânia, da mesma forma que seu similar age em camundongos.  Para os cientistas, o estudo tem enorme potencial para o desenvolvimento de novos biomedicamentos e para o maior entendimento da biologia dos animais extintos.  


Igor Waltz
Ciência Hoje On-line
20/05/2008

 

 
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