Acordar, tomar café da manhã, andar, pegar ônibus. Você pode até não perceber, mas essas simples ações não seriam possíveis se nossa memória não fosse acionada. Em estudo realizado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e da Faculdade de Medicina de Buenos Aires, foi possível identificar o mecanismo que determina a duração de uma memória em nosso cérebro e como ele é ativado.
A pesquisa descobriu que o processo fisiológico responsável pela persistência da memória é ativado pela liberação da proteína BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, na sigla em inglês) no hipocampo, região do cérebro responsável pela formação de novas memórias.
“Essa proteína é liberada 12 horas após a formação de uma nova memória, que, devido à sua ação, é prolongada por dois dias ou até duas semanas”, afirma o médico Iván Izquierdo, que junto com o biólogo molecular Martín Cammarota é responsável pela coordenação do projeto.
Já conhecido pela comunidade científica, o BDNF facilita o fortalecimento das conexões entre neurônios (as sinapses), proporcionando melhor funcionamento do hipocampo.
Após a realização de experimentos em ratos, os pesquisadores se preparam para iniciar testes com humanos, para descobrir quais processos bioquímicos determinam a liberação da proteína e quais processos são influenciados pela ação desse fator neurotrófico.
Segundo Martín Cammarota, o grupo não cogita ainda a produção de drogas que influenciem o funcionamento do BDNF. “Não queremos criar a pílula da memória. Nosso objetivo é descobrir como o cérebro armazena e processa as informações, pois a memória é tudo o que nós somos”, avalia o biólogo.
Rachel Rimas
Especial para a CH On-line
09/04/2008