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 Corpo humano e saúde
Zunzunzum pelo país
Conheça a febre amarela, doença transmitida por mosquitos que tem deixado o Brasil em alerta


Em regiões urbanas, a febre amarela é transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito que propaga a dengue (foto: Wikimedia Commons).

Febre amarela. Está aí uma doença sobre a qual muita gente, até bem pouco tempo atrás, pouco tinha ouvido falar. Mas, há alguns meses, a TV e os jornais têm dedicado um espaço cada vez maior a ela. Pudera! Até o início de março, 19 pessoas já haviam sido vítimas fatais da enfermidade em diferentes estados. Por conta disso, houve uma corrida aos postos de saúde, já que a febre amarela pode ser prevenida com o uso de uma vacina. Talvez você até já a tenha tomado, para não ficar doente. Mas será que sabe como ela funciona e também que moléstia é essa que ela previne?

A febre amarela é uma doença típica das florestas tropicais, mas ela não ataca apenas as pessoas que vivem ali. Embora a maioria dos casos registrados até agora tenha ocorrido em áreas rurais, a doença também pode chegar às cidades. Isso porque, em regiões urbanas, a moléstia é transmitida por meio do Aedes aegypti, o mesmo mosquito que propaga a dengue. Nas matas, por sua vez, a febre amarela é transmitida pelo Haemagogus capricornii, uma outra espécie de mosquito, com sete milímetros de comprimento, que pica sobretudo os macacos, mas também o homem.

Os macacos, assim como os insetos, naturalmente podem hospedar o vírus que causa a febre amarela: o flavivírus. Você sabia que, nas florestas, de tempos em tempos, costumam ocorrer epidemias de febre amarela entre os macacos? E sabe o que acontece se o mosquito Haemagogus capricornii pica um macaco que apresenta o flavivírus e, depois, pica uma pessoa que não foi vacinada para prevenir a febre amarela? Em três a sete dias, ela irá apresentar os sintomas da doença, como febre, dor de cabeça e vômito. Nesse caso, um médico deve ser logo procurado, porque podem surgir sintomas ainda piores, como hemorragias, problemas no coração e também icterícia, uma síndrome que faz a pele e os olhos ficarem amarelados.

Esses sintomas são perigosos porque não existe um remédio específico para combater o flavivírus que causa a febre amarela. “Por essa razão, o que os médicos fazem diante de uma pessoa com a doença é tratar os seus sintomas, esperando que o sistema imunológico reaja, produzindo proteínas chamadas anticorpos, para, assim, eliminar o vírus”, explica Luciano Toledo, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz.

As áreas em vermelho, amarelo e verde mostradas no mapa são consideradas de risco para a febre amarela (fonte: Secretaria de Vigilância em Saúde/ Ministério da Saúde).

O sistema imunológico é uma defesa natural do nosso organismo, que entra em ação assim que o vírus da febre amarela chega à corrente sangüínea. Sua atuação, porém, pode demorar, fazendo com que o doente tenha que encarar os terríveis sintomas da moléstia por um longo período. Por isso, a vacina é tão importante. Nela, os anticorpos já estão prontinhos e, durante dez anos, o nosso corpo fica preparado para se defender do vírus, caso sejamos contaminados por ele.

Não é todo mundo, porém, que precisa correr aos postos de saúde. Isso porque a vacina que previne a febre amarela deve ser tomada principalmente por pessoas que vão visitar ou já vivem nas chamadas ‘áreas de risco’, ou seja, em regiões cobertas por matas, como o Norte e o Centro-oeste, o estado de Minas Gerais, o Maranhão, o sul do Piauí, o oeste e o sul da Bahia, o norte do Espírito Santo, o noroeste de São Paulo e o oeste do Paraná, além de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Além disso, é muito importante usar repelente no corpo todo para espantar os mosquitos e também telas que impeçam sua estrada nas casas. Outra forma de prevenção que não pode ser esquecida (não só contra a febre amarela, mas também contra a dengue) é não deixar água parada em caixas d´água, pneus, garrafas e vasos de plantas, porque os mosquitos adoram colocar seus ovos nesses esconderijos. Afinal, vale tudo para continuar saudável e longe da febre amarela, não é mesmo?!


Juliana Marques
Ciência Hoje das Crianças
14/03/2008
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