A exuberante floresta que chamamos Mata Atlântica cobria no passado quase todo o litoral dos estados do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, entrando ainda por Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, norte da Argentina e leste do Paraguai. Hoje, ela foi reduzida a apenas 5% de seu tamanho original. Isso porque boa parte da vegetação foi retirada para dar lugar a pastagens e cultivos de cana-de-açúcar e café. Além do mais, várias cidades grandes brasileiras estão localizadas próximas ao mar, dentro de antigas áreas cobertas por essa floresta.
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Mata de encosta (a mais antiga da Mata Atlântica) no estado de Santa Catarina | | |
Há pelo menos um milhão de anos, a Mata Atlântica já podia ser vista em boa parte do Brasil. Ao longo de todo esse tempo, o clima na Terra mudou e algumas espécies desse ambiente também se modificaram. Atualmente, pode-se dizer que a Mata Atlântica é um enorme ecossistema, que abriga ambientes tão diferentes como mata de encosta, restingas, dunas, manguezais, florestas secas, campos de altitude e pântanos.
A mata de encosta é a parte mais antiga da Mata Atlântica e pode ser vista na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, e em várias outras regiões brasileiras. Foi nela que apareceu a maior parte das espécies de plantas desse ecossistema e, a partir daí, muitas delas se espalharam para outras áreas em volta. Nessas áreas, chamadas pelos cientistas de sistemas periféricos, as plantas têm mais dificuldade para sobreviver, pois estão expostas a condições extremas como ambientes alagados, areias com temperaturas acima de 60 graus ou o sal trazido pela maresia. Por isso, os botânicos encontram nos sistemas periféricos um número menor de espécies do que aquelas encontradas na mata da encosta.
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Répteis são um encontro certo na Mata Atlântica (fotos cedidas pelos autores) | | |
Quando acompanhamos os rios que vêm cortando a mata, desde o alto da serra, encontramos uma vegetação que se adaptou à presença constante da água salgada: é o mangue. Essa vegetação é encontrada em baías e enseadas, e seus troncos e suas folhas, depois de caírem, são decompostos e servem de comida para pequenos organismos marinhos que vivem ali. Servindo como fonte de alimento, essa parte da Mata Atlântica exerce uma função importante no ecossistema costeiro, já que os pequenos seres marinhos são devorados por peixes, e estes alimentam aves aquáticas e botos.
Você já deve ter percebido que é importante conservar a Mata Atlântica como um todo, já que ela abriga muitas espécies de animais e vegetais desde o alto das serras até o mar. Devemos lembrar ainda que a mata retém umidade e a água da chuva, protege o solo das encostas contra a erosão, evitando deslizamentos, e ainda ajuda a manter a temperatura mais amena.
Desde que os descobridores europeus chegaram, há quase 500 anos, a mata vem sendo devastada. Para ajudar a preservar o que ainda resta dela, foram criadas as Unidades de Conservação da Mata Atlântica, áreas nas quais ficam protegidas as espécies que vivem nesse ecossistema. E você, não acha que já está na hora de dar uma força para que a Mata Atlântica viva por muito mais tempo? Olhe à sua volta e pense o quanto ela tem para nos ensinar e ajude a protegê-la!