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O mais antigo zoológico do mundo Venha participar do aniversário do jardim de Viena, que está comemorando 250 anos!
Qual é seu animal favorito? O macaco brincalhão, o leão com sua pose de rei da selva, o elefante de orelhas gigantes ou a girafa e seu pescoço comprido? Difícil escolher? Que tal fazer uma visita ao zoológico e ver todos esses bichos ao mesmo tempo? Só que essa visita vai ser um pouco diferente: faremos um passeio pela história de um zoológico do outro lado do globo. Imagine que você está entrando em um avião, depois cruzando o oceano Atlântico e... Pronto! Chegamos a Viena, capital da Áustria, na Europa. Aqui, animais de diversas espécies estão comemorando os 250 anos do zoológico mais antigo do mundo!
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Os filhotes de urso polar estão entre as principais atrações do zoo de Viena, que está completando 250 anos (fotos: Renata Ramalho) | | |
Na verdade, esse não foi o primeiro zoológico que existiu. Antes dele, houve outras coleções, inclusive em Viena. Só que todas elas acabaram. Os zoológicos que hoje estão em funcionamento foram criados só no século 19 -- para você ter uma idéia, o de Londres foi fundado em 1826, e o do Rio de Janeiro, o mais antigo do Brasil, em 1888. Já o de Viena abriu suas portas pela primeira vez em 31 de julho de 1752. Nesse dia, o imperador austríaco Francisco Estevão levou o primeiro grupo de convidados para um passeio por sua coleção pessoal de animais. Os vienenses comuns só puderam entrar no local 27 anos depois!
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Tartaruga gigante (Dipsochelys dussumieri) | | |
Você acha que, para ser legal, todo zoológico precisa ter animais grandes, carnívoros, daqueles de meter medo? Pois o imperador austríaco e sua esposa, a imperatriz Maria Teresa, não concordavam. Quando decidiu aumentar sua coleção, Francisco Estevão não incluiu em sua "lista de compras" bichos como macacos, papagaios ou animais carnívoros. Por quê? Oficialmente, o mau cheiro desses bichos era a razão. No entanto, o real motivo é que a imperatriz não queria saber de bichos perigosos no zoológico, que ficava nos jardins do palácio de verão, chamado Schoenbrunn. O fato é que a coleção do imperador era composta em sua maioria por pássaros exóticos e cervos.
Mas não se preocupe: logo os jardins do palácio receberam outros animais -- alguns, inclusive, vindos do Brasil! O herdeiro do trono, o imperador José II, era apaixonado por bichos e decidiu diversificar a coleção. Ele passou a comprar animais de outros colecionadores, ou capturá-los durante expedições para a América e África, na década de 1780. Certa vez, o imperador mandou que o jardineiro imperial trouxesse da África, entre outras encomendas, uma zebra e uma girafa.
A zebra foi obtida sem problemas, mas a girafa só chegou a Viena um bom tempo depois, em 1828. Ela foi presente de um vice-rei egípcio que, rompido com o governo turco, decidiu conquistar aliados pela Europa distribuindo girafas: uma para a Inglaterra, outra para a França, outra para a Áustria... E não é que os vienenses ficaram deslumbrados? A girafa foi a grande sensação da temporada! Ela passou a decorar tinteiros, luvas, a inspirar a moda e virou até tema de uma peça de teatro! O pobre animal, porém, só viveu 10 meses. Uma autópsia revelou que ele nunca se recuperara das fraturas sofridas durante a viagem: o transporte do Sudão até o Egito fora feito com o bicho amarrado nas costas de um camelo!
Duas guerras mundiais depois Zoológico também se dedica à pesquisa, e ajuda a salvar várias espécies da extinção
Ao longo do século 19, o zoológico do Schoenbrunn cresceu rapidamente. Várias aquisições foram feitas quando os países europeus colonizaram nesse século o continente africano (embora a Áustria não tenha participado desse processo). Em 1879, havia 800 animais no jardim; em 1914, 25 anos depois, esse número já era quatro vezes maior: 3400! Durante esse periodo, o zoológico viveu um momento especial: em 1906, nasceu no Schoenbrunn o primeiro elefante em cativeiro do mundo.
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É possível ver no zoo de Viena animais de clima frio, como pingüins | | |
No entanto, a Primeira Guerra Mundial, que começou em 1914, trouxe momentos difíceis para o zoológico de Viena. Vários animais morreram de fome, outros foram sacrificados para alimentar os carnívoros. Um urso polar foi assassinado por um soldado faminto, revoltado com a refeição diária do animal, 10 quilos de carne. Mal sabia ele que o pobre urso só estava comendo cabeças de peixe! Em uma noite de natal, os patos também foram mortos, dessa vez para fazer uma ceia para os funcionários. O número de bichos caiu então para 1100. No final da guerra -- e do império austro-hungaro, do qual a Áustria fazia parte --, o zoológico quase foi fechado. Mas os vienenses, apaixonados por bichos, fizeram uma campanha para arrecadar fundos e manter o jardim.
Em 1924, o Schoenbrunn teve seu primeiro diretor cientista. O zoólogo Otto Antonius foi responsável por uma grande melhoria na vida dos bichos e introduziu a psicologia animal. Antonius, que era membro do partido nazista, conduziu o jardim até o fim da Segunda Guerra Mundial. Enquanto os nazistas estavam ganhando, o zoológico viveu um de seus melhores períodos. Porém, quando as forças aliadas começaram a bombardear Viena, os animais também sofreram. Os rinocerontes foram todos mortos! Ao fim da guerra, quando os soldados russos procuraram o diretor para avisar que, ao contrário de seus colegas de Berlim e Frankfurt (na Alemanha), ele continuaria no no cargo, era tarde de mais: Antonius havia se suicidado. As girafas, que milagrosamente haviam sobrevivido e estavam desnutridas, foram recuperadas pela Cruz Vermelha.

Desde a Segunda Guerra, no entanto, o zoológico tem vivido ótimos momentos. De 1945 a 2000, 19 girafas nasceram lá. O último bebê-girafa tem apenas 3 meses de idade! E se você acha que zoológico é só para ver animais, está muito enganado! O Schoenbrunn se dedica também à pesquisa. Com a ajuda dos cientistas dessa instituição, vários animais ameaçados de extinção foram reintroduzidos em seus hábitats naturais. Outro feito foi o nascimento do primeiro bebê-elefante de proveta: Abu, que veio ao mundo em 2001, é hoje uma das estrelas do jardim. E, para comemorar o aniversário de 250 anos em grande estilo, foi inaugurada uma "floresta tropical" artificial dentro do zoológico, com direito a cachoeiras, cobras, sapos e aves, imitando a floresta de Bornéu, na Ásia!
E aí, ficou com vontade de participar dessa festa? Então não perca tempo! Pegue o avião imaginário de volta e desembarque no zoológico da sua cidade. Certamente ele também tem muitas histórias para contar!
Renata Ramalho Ciência Hoje das Crianças 13/09/02 |