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 ESPECIAIS :: COP8-MOP3

Um elo fundamental
Pesquisadores ressaltam necessidade de cooperação entre ciência e ações políticas


Em evento paralelo da COP8, grupo de cientistas entrega documento com recomendações para ampliação do conhecimento sobre biodiversidade (foto: Helen Mendes).

Um grupo de cientistas dos cinco continentes apresentou à COP8 um documento com recomendações para ampliar o conhecimento sobre a diversidade biológica do planeta. A proposta resultou de um simpósio realizado em Curitiba entre 15 e 19 de março com o objetivo de fortalecer o elo entre os tomadores de decisão na área ambiental e a comunidade mundial de cientistas da biodiversidade.

A principal recomendação é melhorar a estrutura de pesquisa para que a taxa anual de descoberta e descrição de novas espécies dobre até o ano de 2015. De acordo com os cientistas, o ideal é que o número de descrições de animais, vegetais e microrganismos chegue a 50 mil por ano. Dessa forma, os organismos nacionais e internacionais teriam as informações necessárias para elaborar políticas de conservação da biodiversidade.

O gerente de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, disse que não é suficiente para os cientistas apresentar propostas e incentivou os pesquisadores a participar efetivamente das discussões políticas. “Essa ponte é essencial para mostrar a relevância dos resultados da pesquisa científica àqueles que têm poder de tomar decisões.”

Sobre repartição de benefícios e bioética, o documento propõe que haja cooperação e comunicação entre tomadores de decisão, cientistas e comunidades locais, e afirma que esse esforço é essencial para superar os desafios da conservação da biodiversidade. “O acesso a materiais e conhecimentos deve ser facilitado para o benefício de todos”, diz o texto.

O documento faz ainda recomendações sobre o uso sustentável dos recursos naturais e sugere que os indígenas e as comunidades tradicionais estejam envolvidos em todos os estágios dos processos decisórios. Ainda sobre sustentabilidade, o texto diz que “a incorporação de instrumentos econômicos para a conservação da biodiversidade em políticas ambientais públicas é altamente desejável”.

O simpósio ‘Biodiversidade – a megaciência em foco’ – que reuniu pesquisadores em mais de 50 palestras, das quais emergiram subsídios para a elaboração do documento entre na COP8 – foi promovido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), pela Academia Brasileira de Ciências, pela União Internacional de Ciências Biológicas (Iubs, na sigla em inglês) e pela Associação Memória Naturalis (Amnat). Os Ministérios do Meio Ambiente e de C&T foram parceiros no encontro, que teve ainda o apoio do CNPq, da UFRJ, da Petrobras e da Fundação Getúlio Vargas.



Helen Mendes

Especial para a CH On-line / PR
29/03/2006

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