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A idade da desordem Número de crimes aumentou em países que adotaram medidas descriminalizantes, mostram estatísticas
A relação entre drogas e criminalidade é indiscutível. Estatísticas mostram que nos países em que foram adotadas medidas descriminalizantes dos entorpecentes o número de crimes aumentou, paralalelamente a problemas como a maior incidência de Aids, caso de Portugal, e o narcoturismo, caso da Holanda. No Brasil, estudos apontam que 80% dos crimes são ligados ao mercado de tóxicos. A descriminalização não é a melhor maneira de combater ambos os males -- crimes e drogas --, pois pode levar o país a um processo de narcotização semelhante ao da Colômbia.
Como um verdadeiro maremoto, as drogas avançam sobre o Brasil. A força destruidora dessa invasão é impulsionada pelo terror, os extermínios, a desintegração social, um quase genocídio e razoável poder político. Uma análise das causas de óbitos nas grandes cidades brasileiras, ao longo dos últimos 50 anos, evidencia a participação das drogas leves e pesadas no crescimento exponencial do obituário. No mercado de compra e venda dos entorpecentes está a origem de 80% dos crimes de sangue.
Na cidade do Rio de Janeiro, entre 1942 e 1990, os assassinatos saltaram de 3,8 para 59 por grupo de 100 mil habitantes. Isso significa um crescimento de 1.458%, em contraste com o avanço de todos os óbitos no mesmo período: apenas 82,72 %. Nos 20 anos que se seguiram ao dumping colombiano e à invasão da cocaína no mercado brasileiro -- entre 1970 e 1990 --, verifica-se a seguinte evolução dos homicídios por 100 mil indivíduos: 1970 = 8,67; 1980 = 17,33; 1990 = 59.
O panorama não é diferente na grande São Paulo. Após a invasão da cocaína, o número de homicídios saltou de 2.300, em 1980 para 13 mil, em 1998. Um crescimento, portanto, de 465%. Como se comportou o total de óbitos em São Paulo no mesmo período? Subiu apenas 19%! Hoje, por incrível que pareça, o Brasil registra mais homicídios provocados pela droga do que a própria guerra civil colombiana.
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Ciência Hoje 181, abril 2002 Ib Teixeira Fundação Getúlio Vargas/RJ (Pesquisador aposentado) |