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  REVISTA CHC 160 - AGOSTO DE 2005

Bandeira nas ondas do rádio
Conheça a técnica usada pelos pesquisadores para conhecer os hábitos do tamanduá!


arte: Lula

 

Capturando o tamanduá
Depois de capturar o animal e anestesiá-lo para a colocação do radiotransmissor, é preciso esperar que ele se recupere da anestesia, deixando-o no mesmo local em que foi capturado. No momento em que o tamanduá-bandeira está se recuperando da anestesia, os pesquisadores ficam de longe, vigiando para que nenhum predador venha perturbá-lo enquanto ele ainda está incapacitado para se defender ou fugir. No caso do tamanduá-bandeira, o radiotransmissor pode ser fixado como um cinto, logo atrás das pernas anteriores, ou sobre os ombros, como se fosse uma mochila. Em animais como a onça-pintada o radiotransmissor é colocado no pescoço, mas como o tamanduá-bandeira apresenta uma cabeça longa e afilada, mais estreita que o próprio pescoço, o radiotransmissor cairia se fosse colocado nesta região.

“Para que um nariz tão grande? Para sentir melhor o cheiro das minhas presas. Para que uma língua tão comprida? Para capturar melhor as minhas presas. E para que garras tão enormes? Para escavar cupinzeiros, formigueiros e me defender dos meus predadores.”
 
Se o diálogo fez você se lembrar do lobo-mau, esqueça. O personagem central dessa história é o tamanduá-bandeira, um animal de hábitos curiosos e ainda pouco estudado, que, para transmitir informações aos pesquisadores, está usando rádio.
 
Sua imaginação pode voar longe, mas tamanduá-bandeira falando no rádio, nem pensar! O assunto em questão é radiotelemetria, uma técnica que facilita o acompanhamento do animal em seu hábitat natural pelos pesquisadores. Para o uso dessa técnica é preciso capturar o animal a ser estudado (Leia Capturando o tamanduá), anestesiá-lo e fixar um radiotransmissor junto ao seu corpo.
 
A função do radiotransmissor é emitir sinais (do tipo “bip” “bip”) que são captados por um radioreceptor com o auxílio de uma antena.  A intensidade do “bip” “bip” aumenta quando a antena é dirigida diretamente para o radiotransmissor. Assim, pode-se localizar o animal onde ele estiver, mesmo dentro da mata fechada ou durante a noite. Com esses aparelhos os pesquisadores podem estudar aspectos da biologia dos animais monitorados, como o horário em que dormem ou que estão ativos, os ambientes que usam para se alimentar, onde se abrigam, ou ainda a área que precisam para viver.
 
No Pantanal Sul-Matogrossense alguns tamanduás-bandeira foram monitorados com a técnica de radiotelemetria e agora se sabe que, lá, estes animais costumam viver em uma área de quatro a 19 quilômetros quadrados. Sabe-se também que, no Pantanal, eles vão para as matas se abrigar durante as horas mais quentes do dia e que se alimentam, principalmente, de formigas nas beiradas das lagoas.
 
Acontece, porém, que o tamanho da área de vida e a dieta do tamanduá-bandeira podem variar conforme o local. Conhecer o quanto de espaço um animal precisa para viver é importante para os biólogos, porque assim eles poderão calcular qual o tamanho que uma área de preservação precisa ter para poder comportar um certo número de animais vivendo nela.
 

Tamanduá-bandeira com radiotransmissor do tipo cinto
(foto: Flávio H. G. Rodrigues)

Por isso, não estranhe se encontrar um tamanduá-bandeira carregando um rádio. O monitoramento é para o bem dessa espécie que os pesquisadores ainda conhecem pouco e que já se encontra ameaçada de extinção.
 
Antigamente, os tamanduás-bandeira eram bastante comuns, viviam dando bandeira por aí. Hoje, correm risco de desaparecer por conta da destruição do seu hábitat natural, seu espaço de abrigo e alimentação, para a expansão de áreas agrícolas, de criação de gado e para o crescimento das cidades. Além disso, muitos morrem atropelados em rodovias e outros ainda são exterminados por incêndios florestais e pela atividade de caça. Portanto, é preciso criar medidas de proteção para a espécie, o que só é possível conhecendo-a mais e melhor.

Ísis Meri Medri
Programa de Pós-Graduação em Ecologia,
Instituto de Ciências Biológicas,
Universidade de Brasília.
Guilherme Mourão

Embrapa Pantanal. 


Você leu apenas uma parte do artigo sobre tamanduás-bandeira.
Na CHC 160, você encontra a versão completa do artigo, que traz
ainda muitas informações sobre essa espécie: onde mora, como é,
o que come, como descansa, como se defende e muito mais! 
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