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E os bichos se transformam
Entenda o processo de metamorfose, pelo qual passam anfíbios e insetos

Sapo de contos de fadas não pode ver uma princesa que logo fica assanhado. A todo custo, quer ganhar sua beijoca. Tudo para mudar radicalmente e virar príncipe encantado! Quanto aos sapos da beira do rio... eles não ganham beijos de ninguém! Mas, também, se transformam! Dos girinos que eram no início da vida passam a sapos! E tudo neles muda: do corpo ao comportamento. Essa transformação, que ocorre com outros anfíbios e insetos, tem nome: me-ta-mor-fo-se!

Mal saiu do ovo, a tartaruga corre para o mar. Será que um dia ela volta a essa praia? Se tudo correr bem, sim: as tartarugas marinhas sempre retornam ao lugar onde nasceram para colocar seus ovos. Mas não espere vê-la chegar como saiu, isto é, pequena e leve. Ao voltar, ela estará mudada. Pode ser uma tartaruga com cerca de meia tonelada!

Frente a esse tartarugão, vale qualquer exclamação de espanto, menos dizer: "Quem te viu, quem te vê! Passou por uma metamorfose, hein?!". Pela seguinte razão: a palavra metamorfose significa "mudança", "transformação". Mas nem todas as transformações pelas quais um ser vivo passa são chamadas assim!

Alterações no tamanho e no peso, como as que acontecem com as tartarugas marinhas, não são metamorfoses. Apenas as mudanças mais abruptas, que ocorrem após os primeiros estágios de desenvolvimento e que envolvem transformações radicais em um ser vivo -- da estrutura ao comportamento -- recebem esse nome.

Para você ter uma idéia, alguns animais sofrem transformações tão profundas que alguém poderia ver dois bichos da mesma espécie, um jovem e outro adulto, e pensar que são de espécies diferentes! O que, sem dúvida, é uma metamorfose e tanto!

Anfíbios e insetos estão entre os mais conhecidos bichos que realizam metamorfose. Sapos, rãs e pererecas, por exemplo, passam por uma transformação extraordinária: seu corpo, seu comportamento e até a forma como esses animais se relacionam com o meio em que vivem passam por uma reestruturação.

Não que eles virem príncipes ao serem beijados por uma princesa. Mas a mudança é tão radical quanto a das fábulas. Afinal, os girinos são larvas de sapos, rãs ou pererecas e não se parecem em nada com os bichos que irão se tornar quando adultos! 

A vida da rã começa como girino. Nessa fase, o bicho é aquático, não tem patas e, sim, cauda. Mas, ao fim dela, tudo muda. Patas surgem, a cauda encolhe, o animal busca o solo (fotos: Fabio Colombini)

Suas características comprovam isso: em geral, os girinos são aquáticos. Estão em riachos, lagos, poças ou na água acumulada em bromélias, um tipo de planta. Têm, acredite, algo em comum com os peixes. Sim, com peixes!!! Adaptados a viver na água, os girinos possuem, no corpo, estruturas semelhantes às desses animais, como brânquias, que retiram o oxigênio da água. Por meio dela, eles respiram!

Ao contrário de sapos, rãs e pererecas, essas larvas também têm tronco arredondado, sem patas e uma cauda longa e achatada nos lados, que serve para nadar! Seu intestino é proporcionalmente muito comprido e enrolado. Para se alimentar, há espécies que raspam as pedras e o fundo em busca de algas. Outras filtram a água e, assim, obtêm plâncton -- organismos que vivem dispersos ali -- e algumas são carnívoras.

Por falar em comida, uma das grandes diferenças entre girinos, sapos, rãs e pererecas está na boca. Embora o formato dela varie com a alimentação e a espécie, muitos girinos têm um bico feito de queratina -- substância que forma as unhas -- com pequenos dentes.

Basta que a fase de girino chegue ao fim, porém, para que a larva pareça cada vez mais com o sapo, a rã ou a perereca que será no futuro! Nessa hora, diferentes tipos de hormônios -- substâncias especiais produzidas por glândulas ou tecidos -- entram em ação para controlar as mudanças. E são muitas que ocorrem!

continua...

Ciência Hoje das Crianças 140, outubro 2003
Márcio Borges-Martins e
Luciano de Azevedo Moura,
Museu de Ciências Naturais,
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.

 

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