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Aaron Ciechanover nasceu em Haifa, Israel, em 1947. Formou-se em medicina pelo Instituto de Tecnologia de Israel (Technion), em Haifa, no ano de 1981, e atualmente é professor da Unidade de Bioquímica desse instituto. Também dirige o Instituto de Pesquisas em Ciências Médicas da Família Rappaport, no mesmo instituto.

Avram Hershko cidadão israelense nascido em Karcag, Hungria, em 1937. Doutor em medicina pela Escola Médica Hadassah da Universidade Hebraica, em Jerusalém, é professor do Instituto de Pesquisas em Ciências Médicas da Família Rappaport no Instituto de Tecnologia de Israel (Technion), em Haifa.

Irwin Rose nasceu em Nova York, Estados Unidos, em 1926. Concluiu seu doutorado na Universidade de Chicago em 1952 e trabalha atualmente no Departamento de Fisiologia e Biofísica do Colégio de Medicina, na Universidade da Califórnia, em Irvine, Estados Unidos.

 
 ESPECIAIS - PRÊMIO NOBEL 2004

Marcadas para morrer 
Premiados descobriram processo de degradação de proteínas mediado por ubiqüitina

Aaron Ciechanover, Avram Hershko e Irwin Rose

Nas últimas décadas, a ciência esteve profundamente envolvida em explicar como é que as células produzem os diferentes tipos de proteínas das plantas, dos animais e do homem. Mas poucos cientistas estiveram interessados em entender os mecanismos de degradação dessas substâncias.

Nadando contra a corrente, Aaron Ciechanover, Avram Hershko e Irwin Rose acabaram por descobrir um dos mais importantes processos cíclicos da célula: a degradação regulada de proteínas. Por esse trabalho, realizado no início da década de 1980, eles foram escolhidos pela Real Academia Sueca de Ciências na manhã desta quarta-feira, 6 de outubro, para receber o Nobel de Química de 2004.

Aaron Ciechanover, Avram Hershko e Irwin Rose mostraram que a célula funciona como uma eficiente usina de checagem, onde as proteínas são fabricadas e destruídas em ritmo acelerado. A degradação não ocorre de forma aleatória; ao contrário, é um processo minuciosamente controlado. A certa altura, as proteínas a serem degradadas recebem uma marca molecular -- uma espécie de 'beijo da morte' -- e então são trituradas no proteassomo, a 'lata de lixo' da célula.

A marcação é feita por uma proteína compacta e de baixo peso molecular denominada ubiqüitina, que é extraordinariamente conservada na escala evolutiva (a seqüência de suas partes constituintes, os aminoácidos, é idêntica no homem e em moscas, por exemplo). A ubiqüitina se liga à proteína a ser destruída, acompanha-a até o proteassomo, onde é reconhecida (como uma chave é identificada por uma fechadura), e informa que uma proteína a ser eliminada está chegando. Antes da destruição, a ubiqüitina se desconecta da proteína para ser reutilizada posteriormente.

Graças ao trabalho dos laureados, agora é possível entender, em nível molecular, como a célula controla numerosos processos, destruindo algumas proteínas e não outras. Entre os processos governados pela degradação de proteínas marcadas com ubiqüitina estão o reparo de DNA, a divisão celular, o controle de qualidade de proteínas recém-produzidas e o funcionamento do sistema imune. Em certas doenças, como o câncer cervical, a degradação de algumas proteínas não ocorre de modo normal. O entendimento de como se dá a marcação de uma proteína pela ubiqüitina pode levar ao desenvolvimento de drogas que controlem esse processo.

A geneticista Mônica Bucciarelli Rodriguez, doutora em bioquímica pela Universidade de São Paulo, vê na escolha do trabalho premiado um reconhecimento às pesquisas sobre o controle do processo de degradação de proteínas. A seu ver, ele é tão importante quanto o controle envolvido na síntese de proteínas, um tema de investigação que sempre atraiu o interesse de químicos e biólogos. "É preciso conhecer bem os dois processos", enfatiza a geneticista. "Afinal, o balanço entre síntese e degradação é que irá determinar a quantidade de uma proteína em determinado momento na célula."

A propósito do Nobel de Química de 2004, a química Glaura Goulart Silva, do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais, destaca um aspecto semelhante ao levantado por Rodriguez. Na sua opinião, o prêmio fortalece os grupos de pesquisa que trabalham com temas que não seguem uma tendência, que estão, portanto, "contra a corrente" no campo científico. "As agências de fomento devem estar atentas às linhas de pesquisa que não têm objetivos de aplicação imediatos", alerta Silva. "A pesquisa livre é fundamental para o avanço da ciência", concluiu a química da UFMG, apontando, como prova disso, o trabalho de Ciechanover, Hershko e Rose.

Renata Moehlecke
Ciência Hoje On-line
06/10/04



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