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  NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Radiografia dos municípios fluminenses
Pesquisa usa indicadores de sustentabilidade para avaliar cidades da zona costeira do Rio de Janeiro


Os indicadores de sustentabilidade fazem um diagnóstico das cidades costeiras do estado do Rio de Janeiro em diversos aspectos e podem auxiliar a formular políticas públicas para a região (arte: reprodução / Ivides.org).

Uma pesquisa inovadora pode ser fonte de subsídios para políticas de gestão pública municipal. Um estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) analisou 41 indicadores de sustentabilidade – como nível de urbanização e mortalidade infantil – em 34 municípios costeiros do estado. Esses índices funcionam como um diagnóstico da situação dessas cidades em diversas áreas, desde a econômica até a cultural. A pesquisa é a primeira a tratá-los de forma integrada e em uma dimensão municipal.

O estudo foi realizado por Raquel Dezidério Souto como trabalho de conclusão do curso de oceanografia pela Uerj, sob orientação dos oceanógrafos Marcus Polette, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), e Milton Kampel, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A pesquisa deu origem ao primeiro atlas de indicadores do Brasil voltado à zona costeira que oferece todos os índices calculados por município, além de gráficos e mapas (os 34 municípios analisados são classificados como costeiros por pertencerem a uma mesma bacia hidrográfica, o que explica a presença de alguns municípios distantes do mar).

Os indicadores utilizados para avaliar esses municípios são divididos entre as dimensões espacial, cultural, econômica, ecológica, social e política. Alguns dos 41 índices que integram a pesquisa são utilizados no mundo inteiro, como a esperança de vida ao nascer. Outros foram escolhidos por sua importância para a região analisada, como a quantidade de pescadores por município.

A avaliação de indicadores da dimensão econômica, como emprego e renda e Produto Interno Bruto (PIB), mostrou disparidades dentro de uma mesma região. O município de Rio das Ostras, por exemplo, que obteve um dos resultados mais preocupantes, pertence à área que apresentou a maior concentração de cidades com bom desempenho no quesito: o litoral da Região dos Lagos.

A maior parte dos municípios da zona costeira fluminense ficou na média nos indicadores relacionados à qualidade de vida. As cidades em amarelo apresentaram resultados medianos nos indicadores da dimensão social, como saúde e educação. Clique no mapa para ampliá-lo (reprodução / Ivides.org).

No que diz respeito à qualidade de vida, os municípios fluminenses ficaram na média. A maioria obteve índices de impacto médio na dimensão social, responsável por avaliar aspectos como saúde, educação e saneamento básico. As cidades de Campos dos Goytacazes e Carapebus, ambas localizadas no litoral norte fluminense, apresentaram altos índices de impacto, o que significa pior qualidade de vida. Entre as que obtiveram os menores índices está Niterói, que obteve bons resultados também na dimensão econômica e na ecológica, que avalia a modificação da paisagem.

Região estratégica
Souto ressalta que a região analisada é estratégica. “No estado do Rio de Janeiro, a zona costeira é bastante complexa e importante economicamente, por causa da exploração de petróleo”, avalia Souto. “O aumento populacional e o impacto das atividades desenvolvidas na região demandam a formulação de novos instrumentos para a gestão pública. Os indicadores de sustentabilidade são ferramentas que podem ajudar a elaborar e aperfeiçoar essas políticas.”

Calculados com base em dados estatísticos colhidos por órgãos como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os indicadores são classificados de acordo com o impacto gerado no município – vermelho para alto impacto, amarelo para médio e verde para baixo. “Se um indicador está vermelho, devem ser formuladas políticas públicas para melhorar o quesito avaliado na região”, explica Souto.

Avaliação integrada
A pesquisa é a primeira a utilizar os indicadores para avaliar municípios no país. Também é um fator pioneiro a avaliação dos indicadores de forma integrada entre as cidades. Os índices de cada município são sempre colocados em perspectiva em relação aos outros.

“O que ocorre mais comumente é a avaliação de um índice como a urbanização, por exemplo, em determinada cidade. Esse estudo integrado é raro até em âmbito internacional, onde a utilização de indicadores de sustentabilidade é mais freqüente”, destaca Souto. Outras iniciativas que utilizam a mesma metodologia da pesquisa carioca já estão sendo realizadas em São Paulo e em Santa Catarina.

A oceanógrafa ressalta que conhecer as características do município é muito importante para os seus habitantes. “Nosso portal apresenta temas que interessam a todas as pessoas. Saber como está a situação do lugar em que se vive é parte da cidadania”, avalia.   


Tatiane Leal
Ciência Hoje On-line
11/11/2008

 

 
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