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Um lugar cheio de história
Restaurada igreja que foi palco de coroações, batizados e casamentos da família real portuguesa
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A Igreja da Antiga Sé tem histórias para contar: foi palco da coroação de D. João VI em 1818, de D. Pedro I em 1822 e de D. Pedro II em 1841 (foto: Eliane Carvalho).
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Em 1808, a família real portuguesa desembarcou no Brasil, o que gerou muitas mudanças em nosso país, que na época ainda era uma colônia de Portugal. Como parte das comemorações pelos 200 anos da chegada de D. João e sua corte, a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e outras instituições restauraram a Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, deixando-a novinha em folha. Nada mais merecido. Afinal, essa igreja, localizada no centro do Rio, tem muitas histórias para contar!
Construída em 1763 – ou seja, há 245 anos –, a Igreja da Antiga Sé foi palco da coroação de D. João VI em 1818, de D. Pedro I em 1822 e de D. Pedro II em 1841, além de batizados e casamentos de vários integrantes da família real. O próprio D. João – que morava em frente à construção, no Paço Imperial, sua residência oficial – transformou a igreja em Capela Real, em 1808. Depois, a nomeou Catedral da Cidade. E mais uma curiosidade: é nessa igreja que estão os restos mortais de Pedro Álvares Cabral, navegador português que chegou ao Brasil em 1500.
“A história da Igreja da Antiga Sé se confunde com a própria história da formação da cidade do Rio de Janeiro e até do Brasil. Por isso, restaurar a Igreja é uma forma de manter essa história viva e devolver à cidade sua Igreja mais importante”, explica Alberto da Costa e Silva, chefe da Comissão da Celebração dos 200 anos da chegada da família real. Alberto conta, por exemplo, que a Igreja foi, por muito tempo, o centro da vida musical do Brasil. D. João, grande admirador da música erudita, promovia, ali, concertos voltados para membros da corte e da elite.
Para reformar esse patrimônio histórico tão importante, foram necessários 18 meses de intensas obras. Mas valeu a pena. A equipe composta por arquitetos, historiadores e arqueólogos resgatou a pintura original do teto da Igreja e recuperou os detalhes em dourado do teto, das paredes e das pilastras. Na parte de fora da construção, as obras de restauração da fachada, que haviam começado em 2004, foram concluídas.
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A Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé reúne diversos estilos arquitetônicos. O mais presente é o rococó, caracterizado pelo uso de objetos e ornamentos elegantes e bastante exuberantes, geralmente dourados (foto: Rachel Rimas).
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Durante a reforma, escavações arqueológicas foram feitas para revelar mais dados sobre a história do local onde hoje está a Igreja da Antiga Sé. “As escavações serviram para estudar o conjunto de construções arquitetônicas que o local da Igreja já apresentou”, conta André Zambelli, secretário do Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro. Para você ter uma idéia, no século 16, havia ali uma capela, chamada Ermida de Nossa Senhora do Ó, que desabou em um dia de festa na colônia.
O trabalho de escavação rendeu a localização de mais de 30 mil peças, que auxiliam os arqueólogos a reconstituir um pouco do passado do local. Além disso, os pesquisadores encontraram uma paliçada, uma espécie de cerca que parece ter sido construída antes de 1504, provavelmente pelos índios, quando nem os portugueses tinham chegado a nosso país! Por terem feito descobertas tão importantes, a equipe que cuidou da restauração criou um sítio arqueológico para que as pessoas que visitarem a igreja possam conferir um pouquinho do que foi encontrado.
Para André Zambelli, a restauração da Antiga Sé é uma forma de preservar esse patrimônio cultural e histórico de cidade. “Conhecer e conservar nossa história é dever de todo cidadão”. Então, não perca tempo: se você vive no Rio, faça uma visita à Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé e confira seu novo visual, a exposição arqueológica e um espetáculo de som e luzes que conta sua trajetória e a sua relação com a política e a sociedade do Brasil.
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Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé
Rua Primeiro de Março, s/nº, Centro, Rio de Janeiro/RJ.
Visita guiada: R$ 12 (estudantes pagam meia-entrada).
Tel.: (21) 2242-7766.
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Rachel Rimas
Ciência Hoje das Crianças
18/07/2008
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