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Fechando o cerco
Polícia técnica tem novas ‘armas’ para investigar crimes e preparar laudos periciais
A ciência forense – que se tornou profissão legalizada no início do século 20 e se popularizou na década de 1990 com o advento da análise de DNA – sempre atraiu a atenção do grande público. São exemplos de sucesso o detetive Sherlock Holmes, criado pelo escritor inglês Arthur Conan Doyle, a série televisiva
Quincy,
de Jack Klugman, ou dos atuais programas de investigação criminal na tevê. Hoje várias séries criminais, entre elas
Crime Scene Investigation (CSI),
estão na lista dos 20 programas de televisão mais vistos no mundo.
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Os ácaros do gênero
Macrocheles
são importantes em estudos forenses (foto: M. Alejandra Perotti, Henk R. Braig e M. Lee Goff).
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O lado positivo de tudo isso é que o público passou a respeitar mais a ciência, o que se reflete, por exemplo, na procura por cursos de ciência forense. O número de alunos matriculados na Universidade Chaminade, em Honolulu, passou de 15 para 100 em quatro anos. Na Universidade da Virgínia Ocidental, o curso de ciência forense e investigativa, que em 2000 tinha apenas quatro alunos, é hoje o terceiro maior do
campus,
com mais de 500 alunos. No Brasil o número de estudantes na área também tem crescido.
Enquanto nos Estados Unidos a polícia se preocupa em corresponder às expectativas dos programas nacionais de investigação forense, no Brasil ainda há, em algumas regiões, um longo caminho a percorrer em busca dos padrões internacionais de qualidade para a ciência forense. As análises de DNA são um bom exemplo. Para obter os níveis de segurança dos exames dos laboratórios de referência no exterior, é preciso estabelecer rígidos padrões de qualidade, entre eles calibração periódica de equipamentos, coleta apropriada de material e adoção de procedimentos que minimizem a chance de troca de amostras.
Além disso, novas áreas de pesquisa na ciência forense estão longe de ser exploradas no Brasil e em outros países em desenvolvimento. Uma delas é a entomologia forense, que envolve o estudo de insetos para auxiliar as investigações criminais, principalmente em casos de morte violenta.
Quando moscas-varejeiras, por exemplo, encontram um cadáver, em geral aí depositam ovos, dos quais em pouco tempo eclodem larvas (algumas espécies põem larvas já eclodidas). As larvas alimentam-se dos tecidos em decomposição até atingir a fase de pupa. Portanto, podem ser tomadas como uma espécie de ‘relógio biológico’ indireto, capaz de indicar o tempo transcorrido entre a morte e a descoberta do cadáver, chamado de ‘intervalo pós-morte’ (IPM). A estimativa do IPM baseia-se na comparação de dados sobre o desenvolvimento de insetos obtidos em análises laboratoriais do material (ovos, larvas, pupas e adultos de diferentes espécies) coletado no corpo ou próximo dele.
Mas as informações obtidas a partir do exame de insetos recolhidos em cadáveres permitem outras aplicações de interesse, além da estimativa do IPM. A identificação de espécies pode indicar que o corpo foi afastado do local original do crime, caso uma espécie não ocorra naturalmente na área onde o cadáver foi achado. Se muitas larvas forem encontradas em outra região do corpo, além das cavidades naturais, isso pode indicar algum tipo de traumatismo, possivelmente causado por armas. Com base nos insetos coletados, também é possível saber se o corpo esteve enterrado ou submerso por determinado tempo.
Nos Estados Unidos, no Canadá e em vários países europeus, a entomologia forense já é utilizada com freqüência em investigações criminais. Entre nós, uma tentativa de torná-la mais divulgada e aceita foi a criação, em março de 2007, da
Associação Brasileira de Entomologia Forense.
Leonardo Gomes
Laboratório de Eco-epidemiologia de Doença de Chagas,
Fundação Oswaldo Cruz
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