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  REVISTA CHC 183 :: SETEMBRO DE 2007

Você sabia que vasos de cerâmica eram usados para guardar ossos humanos?
Conheça o povo indígena brasileiro que praticava esse estranho costume e saiba como eles faziam!


(ilustração: Mário Bag)

Nem todo vaso antigo ao ser encontrado está recheado de tesouros, garantem os arqueólogos. Estes pesquisadores, que estudam vestígios de sociedades antigas, encontraram na Ilha de Marajó, na região amazônica, muitos objetos de cerâmica que foram usados entre os anos 600 e 1.200 por grupos de pessoas que lá viveram. As peças mais bonitas eram vasos, que serviam para guardar... ossos humanos!

Isso mesmo. Quando uma pessoa morria, esses povos, de origem indígena, realizavam uma série de rituais de preparação para que o morto pudesse seguir bem para o outro mundo, que eles acreditavam existir. Guardar os restos mortais em urnas para depois enterrar era apenas uma parte desses rituais.

Os vasos variavam de tamanho conforme a importância da pessoa que seria enterrada. Os maiores eram, mais ou menos, do tamanho de uma TV de 29 polegadas, mas cabia uma pessoa inteirinha dentro deles. Como? Porque elas recebiam apenas os ossos já limpos de cada indivíduo.

Acredita-se que processo era assim: primeiro, o corpo era enterrado direto na terra e só depois que ele já estava todo seco era desenterrado. Os ossos passavam, então, por um processo de limpeza, eram pintados com tinta vermelha e colocados no vaso. E, aí, a urna era enterrada.

Os vasos de cerâmica que os antigos habitantes da Ilha de Marajó faziam e depois utilizavam como urnas funerárias eram tão bonitos que muitos pesquisadores acreditam que existiam neste grupo pessoas especializadas nesta técnica. Eles misturavam a argila com cauixi – um tipo de esponja que proporciona maior resistência e dureza à cerâmica –, moldavam os vasos e, depois que estavam secos, pintavam-nos.

Se você achou a interessante e quiser moldar um vaso/urna, não para armazenar ossos, mas para guardar segredos, quem sabe?, não perca a atividade Urna de segredos, nesta edição da CHC. 


Bianca Corazza e Valquírias Prates
Caçadoras de Histórias,
Projeto de literatura sobre arqueologia para crianças.

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